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Yields da dívida europeia: haverá ainda espaço para mais descidas?


Com os indicadores económicos europeus a revelarem a melhor dinâmica dos últimos 10 anos, será que a recente descida das yields das obrigações europeias em reação ao prolongamento do programa de compra de títulos por parte do BCE tem pernas para continuar?

É difícil e nada conveniente do ponto de vista económico que as yields da dívida europeia a dez anos continuem a descer. Caso isso aconteça, significará que os investidores não estão muito seguros da dinâmica económica europeia, ao contrário do que todos desejamos. É que já passaram 10 anos desde os primeiros sinais da atual crise financeira!

A yield das obrigações alemãs a 10 anos no dia 27 de dezembro estava em 0,37%. A dívida com idêntica maturidade de Espanha, Itália e Portugal estava em 1,44%, 1,89% e 1,78%. Comparativamente com os níveis há um ano atrás, a dívida alemã estava em 27 de dezembro com uma yield 18 pontos base acima (+0,18%), a dívida espanhola estava com uma yield 7 pontos base acima (+0,07%), a dívida italiana estava com uma yield 6 pontos base acima (+0,06%) e apenas a dívida portuguesa estava 197 pontos base abaixo (-1,97%).

O spread das obrigações do tesouro a 10 anos de Espanha, Itália e Portugal face à congénere alemã estava em 27 de dezembro nos 107 pontos base, 152 pontos base e 141 pontos base respetivamente.

A dívida pública europeia encontra-se em níveis muito baixos, pelo que, a probabilidade de continuar esta trajetória é difícil.

Poderá haver ainda algum espaço para o spread entre as dívidas públicas latinas e alemã a 10 anos encurtar. A dívida portuguesa é uma estrela em 2017, com o spread face ao benchmark (bund alemão a 10 anos) a reduzir-se de 3,56% há um ano atrás para 1,41% agora. A yield das obrigações do tesouro portuguesas a 10 anos está mesmo abaixo das congéneres italianas.

Apesar de não existirem pressões inflacionistas, uma vez que os preços das principais commodities não subiram muito em 2017 e estão francamente abaixo dos valores de há 5 anos atrás, a dinâmica económica europeia e global, a continuar, poderá agitar um pouco as águas daqui a uns meses.

Se olharmos para a evolução das commodities agrícolas como o trigo ou o milho, verificamos que o preço atual destes dois cereais (427 USD e 354 USD) não está muito diferente do que estava no final de 2016 (408 USD e 352 USD) mas estão bastante aquém dos valores de há 5 anos atrás (779 USD e 694 USD).

Mesmo o petróleo, WTI e Brent, que estão agora a 59,5 USD e 66,4 USD, estavam no final de 2016 nos 53,72 USD e 56,82 USD e muito abaixo do que estavam há 5 anos atrás, 90,8 USD e 110,6 USD.

Outra questão que pode influenciar a breve prazo a evolução das yields da dívida pública europeia são as dificuldades de constituição de um governo regional na Catalunha e das negociações com Madrid, as eleições em Itália e o impacto da redução do valor das compras mensais de títulos de dívida por parte do BCE.

Por tudo isto e tendo em conta o bem-estar económico e social dos europeus, seria bom vermos a curva das taxas de juro a ganhar alguma inclinação nos próximos meses.

Quanto mais durar este ciclo de taxas de juro muito baixas, maiores são os riscos de inflação no futuro e de criação de bolhas em ativos financeiros e em ativos reais e, consequentemente, maiores os riscos para a estabilidade financeira das economias.

Profissionais

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