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William Blair (Thomas Ross): “Temos uma filosofia de investimento clara, e temos vindo a demonstrar que conseguimos entregar alpha”


William_Blair_Headshots_Oct_2018-46_1_A decisão da William Blair passar a focar-se no mercado europeu pode dizer-se que foi tardia. De DNA norte-americano, é desde 1940 que a entidade se dedica à tarefa da gestão de ativos. Só passados 67 anos – em 2007- começaram a incursão no mercado europeu, com foco na distribuição de fundos. Uma decisão estratégica, que Thomas Ross, head of European Distribution da William Blair, recorda como contemporânea da sua própria entrada na entidade. Na primeira aparição da William Blair no mercado português, o responsável teve oportunidade de reviver esse contexto. Em conversa com a Funds People, lembrou que por essa altura “o primeiro cliente europeu foi um fundo de pensões suíço, que estava investido na estratégia de small-mid caps da casa e que ainda hoje se encontra investido”. Um veículo em formato UCITS, que, relembra, foi lançado em 2004 dentro de uma SICAV.

O facto de só agora, em 2019, estarem a abordar o mercado português tem que ver com as opções estratégicas que foram delineando para o mercado europeu. Primeiramente a entidade quis focar-se num segmento “muito mais institucional”, que os fez traçar caminho essencialmente no Norte da Europa. Contudo, a variedade que proporcionam em termos de oferta foi o ‘trigger’ para uma expansão mais alargada na Europa. “Com uma SICAV tão vasta – que atualmente conta com nove ou 10 estratégias que vão desde os mercados emergentes às estratégias globais – fazia sentido pensarmos onde é que esta oferta poderia ser relevante, e para que mercados poderia encaixar”. Automaticamente surgiu a resposta Península Ibéria e Itália, e, claro, seguiu-se a questão de “como abordar estes mercados”.

Parceria com abordagem local

Capital Strategies Partners foi a escolha da entidade norte-americana para a parceria no mercado ibérico, mas também no italiano. Uma decisão que se justifica pela própria natureza da William Blair. “Somos uma organização que se guia primeiramente pela parte de investimento, e não pela parte da distribuição. Estamos interessados em construir os melhores produtos, e depois encontrar os canais mais apropriados para os distribuir... e em última análise encontrar clientes”, atestou Thomas Ross, assinalando que a equipa de distribuição que detêm é bastante “leve”.

Ownership, cultura e abordagem de investimento. Estes pode dizer-se que são os três grandes pilares de funcionamento da William Blair, e Thomas Ross fez questão de os atestar. “Temos uma filosofia de investimento bastante clara, e temos vindo a demonstrar que conseguimos entregar alpha durante o ciclo de mercado; no entanto, não prometemos uma outperformance em cada um dos ambientes de mercado. Queremos, por isso, trabalhar com clientes que percebam a nossa filosofia de investimento e a nossa perspetiva de investimento”, ratifica.

Se no início a base de clientes da entidade era mais institucional, hoje esse deixou de ser “um requisito”, e estão deliberadamente “a expandir” o tipo de clientes com quem trabalham. A título de exemplo, o responsável de distribuição aponta que têm trabalhado com “wealth managers no Reino Unido, bancas privadas suíças, e instituições financeiras na região norte da Europa”. Na busca de clientes, a incursão pela Europa do Sul ganha, portanto, força com a já referida parceria com a Capital Strategies Partners. “Se olharmos para mercados como o norte-americano ou inglês, notamos que tendem a ser muito conduzidos por consultores de investimento, que é um canal que historicamente tem sido muito importante para nós. Na Europa do Sul, contudo, a presença desses agentes é menos significativa, daí a importância de trabalhar com uma entidade como a Capital Strategies Partners”, salienta.

Neste sentido, e de forma a abordar melhor o mercado do sul da Europa, decidiram ter disponíveis todas as classes de fundos para retalho, de forma a que possam funcionar tanto para “verdadeiros institucionais”, como para “o canal de vendas mais genérico ou para portefólios de gestão discricionária”.

Fundamentais e metódicos

Thomas Ross não se cansou de repetir: “Aceitamos que existem períodos em que a nossa abordagem de investimento irá ter uma underperformance, e, claro, tentaremos mitigar esse resultado. O que podemos garantir mesmo é que nos manteremos consistentes relativamente à nossa abordagem de investimento”. Uma abordagem de investimento que descreve com recurso a vários adjetivos. “Somos fundamentais, bottom up, ativos e muito ‘research driven’”, indica, acrescentando nuances como o elevado foco na construção de portefólios de elevada qualidade.

A tecnologia desenvolvida in house é outro dos factores que assinalam. Mais concretamente uma plataforma inovadora e muito cobiçada, com um sistema de software que lhes permite “gerir os portefólios e o seu processo de research de uma forma que até então não era possível”. “O que fizemos nessa plataforma foi integrar as nossas ferramentas quantitativas e os modelos multifactores sistemáticos que sempre usámos, de forma a ajudar-nos a identificar as empresas que são potencialmente apropriadas para serem incluídas no portefólio”.

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