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We are different from...


Nos últimos anos temos ouvido dizer que cada país que entra em crise, é um caso diferente do anterior. A crise grega é ligeiramente diferente do caso português e estas duas situações são bastante diferentes do caso irlandês. Apesar das diferenças, todos os países foram resgatados devido a um factor comum: excessivo endividamento.

Também é lógico que países como Malta ou o Luxemburgo são diferentes de Chipre quanto ao modelo financeiro, até porque a dimensão dos bancos domésticos é mais reduzida face ao PIB (3x a 4x contra 7x). Contudo, também Malta e Luxemburgo são economias pequenas e extremamente dependentes do sector financeiro, portanto, não estão imunes a crises que possam ocorrer no futuro.

É curioso ver a Alemanha, em ano de eleições, preocupada em assegurar que todos os  depósitos estão seguros. Mas será que se ocorrer novamente a situação de 2008, quando o governo teve que salvar bancos, os responsáveis alemães poderão continuar a dizer o mesmo? Ou há europeus de 1ª e de 2ª categoria? Parece que sim!

Daqui a uns meses veremos qual o impacto da fuga de depósitos dos países do sul para os países do norte da Europa. Caso isso aconteça, a decisão tomada pelo Eurogrupo foi mais uma “ajuda envenenada” dos países ricos do norte aos países pobres do sul da Europa.

A Z. Euro tem demasiados países. Muitos deles, incluindo Portugal, não deveriam ter entrado na moeda única ou deveriam ter entrado apenas quando os seus modelos económicos estivessem equilibrados. Por exemplo, Chipre quando aderiu ao euro em 2008, já era um “casino” idêntico ao existente à data do resgate, pelo que só se percebe a sua entrada no euro por motivos meramente políticos (pressão da Grécia!).

O tempo passa e os problemas de fundo da Z. Euro continuam por resolver. Este ano, tudo está praticamente parado, nomedamente a tão necessária aceleração da supervisão bancária europeia. Vamos ter eleições na Alemanha em Setembro e, portanto, assistimos a uma espécie de gestão corrente. O fosso do andamento económico entre os EUA e a Z. Euro apresenta a maior diferença desde a criação da moeda única, como consequência desta apatia europeia.

Nos EUA fala-se a uma só voz, a economia cresce, o desemprego diminui, as empresas superam as estimativas de resultados dos analistas, os índices bolsistas batem novos máximos históricos... e na Zona Euro? Nem vale a pena falar!...

Os meus amigos e os meus ex-alunos (ISEG e ISGB) sabem que desde sempre tive muitas dúvidas sobre a entrada apressada de Portugal na Z. Euro e sobre a ansiedade dos políticos europeus em cativar um grande número de países para a moeda única. Infelizmente, as minhas dúvidas confirmaram-se e têm sido esclarecidas ao longo dos últimos 3 anos. Por vezes, parece que as decisões tomadas pelos responsáveis europeus não têm por objectivo a construção europeia mas sim a sua desagregação!

Autor da foto: Robhowells87, Flickr, Creative Commons.

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