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Volatilidade e Oportunidade


Volatilidade e oportunidade: as palavras chave que marcam o ano de 2016 para Manuel Arroyo, o diretor de estratégia para a Península Ibérica da J.P.Morgan Asset Management, que recentemente falou à Funds People Portugal.

“Foi um início de ano que apanhou muitos investidores de surpresa. Ninguém esperava tanta volatilidade. Especialmente depois de um longo período de complacência, fruto das políticas tão expansivas levadas a cabo pelos bancos centrais. A subida de taxas por parte da Fed e a debilidade económica em várias partes do mundo, a par com alguns dados económicos preocupantes dos EUA e Europa, na nossa opinião, provocaram uma reação desmedida por parte dos mercados”. Foi assim que Manuel Arroyo deu início à conversa, complementando com a expressão da convicção de que “vamos ver rentabilidades abaixo de 10% nos mercados de ações, seguramente”.

Segundo o diretor de estratégia para a Península Ibérica, na J.P. Morgan AM, sabiam “que o início da divergência nas políticas monetárias iria contribuir para a volatilidade do mercado. Até há pouco tempo, os grandes bancos centrais estavam alinhados e a inversão desta tendência global, com a subida de taxas da Fed, teve grande impacto nos mercados de divisas, matérias primas e mercados emergentes. No entanto, no início do ano descontava-se uma divergência mais agressiva, enquanto agora vemos uma atitude mais cautelosa da Fed a par com uma atitude mais expansiva do que o previsto por parte de outros bancos centrais”.

Segundo o profissional, a entidade gestora manteve, um posicionamento muito semelhante ao dos últimos anos, Acredita que “é um contexto favorável para os mercados acionistas, em detrimento da dívida soberana” e, por isso,  considera “que os EUA, a Europa e a China vão continuar a crescer, embora a um ritmo mais baixo que o dos últimos anos”.

Portanto, na opinião de Manuel Arroyo, o contexto continua favorável para ativos de risco, mas salienta que “num contexto em que há muita volatilidade, as estratégias de retorno absoluto - estratégias que não dependem da direção do mercado e que possibilitam tanto a tomada de posições longas como curtas, em qualquer dos ativos - fazem especial sentido”. Explica que “são estratégias que mostram retornos positivos este ano, e que se comportaram bem no ano passado, independentemente das quedas dos mercados. Isto tudo com um elevado grau de transparência e liquidez”. O diretor remata com: “é onde mais procura estamos a ver.”

Desafios em Portugal

Manuel Arroyo destaca as taxas elevadas de depósitos que se verificaram nos últimos anos, tanto em Portugal como em Espanha, como o principal desafio que enfrentaram, como indústria de fundos. No entanto, o diretor da J.P.Morgan AM salienta que “hoje em dia vemos a situação normalizada e é neste contexto que os fundos de investimento com estratégias diversificadas e com gestão profissional têm todas as condições para ganhar. Mais do que um desafio, vemos uma oportunidade enorme, já que são os melhores veículos para canalizar todas as necessidades de poupança e investimento. Nos próximos anos as expectativas são de que as taxas de juro se mantenham em níveis extremamente baixos. Ter o dinheiro numa conta bancária não é opção. E a aposta em fundos de investimento é uma tendência que vai durar muitos anos, embora seja um tema cíclico, mais do que estrutural”. 

 

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