Variáveis a analisar para determinar em que ponto macro estamos


Num contexto de seca de rentabilidade, é mais crucial que nunca questionar a resiliência dos nossos investimento. “Uma carteira não deve ser simplesmente uma recoleção de ideias”, insiste Manuel Gutiérrez-Mellado, responsável do negócio institucional da BlackRock para Portugal, Espanha e Andorra. Insiste na necessidade de pensar na diversidade geográfica por estilos e por classe de ativos. “Devemos perguntar-nos que tipo de investidores somos”, afirma.

E nesta reflexão sobre como construir uma carteira para o momento atual, é imprescindível determinar em que ponto do ciclo nos encontramos. Não é fazer market timing, mas a realidade é que a conjuntura influencia diretamente as classes de ativos e a sua rentabilidade.

Na BlackRock fixam-se em quatro variáveis: o negócio, a política, o financeiro e o risco. Segundo explica Guitiérrez-Mellado, são as quatro dimensões que no seu conjunto o motor dos investimentos futuros. E dentro destas, em cada uma entra um jogo de dois fatores macroeconómicos. No ciclo de negócio, influencia o crescimento da inflação, na política, a monetária e a fiscal; no financeiro, as condições financeiras e a alavancagem do sector privado; quanto ao risco, a tolerância ao risco e às valorizações.

Segundo a análise da BlackRock, também há motores dominantes, como shocks na procura e oferta, que coincidem com variáveis financeiras, como a correlação em obrigações e ações. Ainda há numerosos regimes possíveis, a gestora dividirá em seis categorias grandes as mais comuns desde 1960: goldilocks, aperto hawkish, reflação, sobreaquecimento, abrandamento e estagflação. A mais estranha de todas seria uma recessão.

Como se pode ver no gráfico seguinte, neste momento encontramo-nos num regime de abrandamento. Isto é, um crescimento e inflação em desaceleração e um aumento da incerteza acompanhada de estímulos monetários. Isto poderá mudar para dois cenário possíveis. Por um lado, um cenário de goldilocks, com políticas que apoiem o crescimento, pouca pressão inflacionária, com crescimento lento, maior inflação e um crédito em contração.

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O que implicará cada cenário? No regime goldilocks historicamente viram-se retornos positivos na maioria dos ativos, liderados pelas ações. No regime de estagflação as ações resistiram enquanto as obrigações de governo e o crédito sofreram.

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