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Várias abordagens à seleção de ETFs


A última década tem sido, sem sombra de dúvida o momento dos ETFs. Fundos de gestão passiva, cotados em mercado secundário, estes instrumentos financeiros representam cada vez mais um instrumento essencial não só na gestão e alocação de ativos, mas também na gestão eficiente de fundos e carteiras de investimento. E foi para fomentar a troca de ideias e opiniões sobre estes instrumentos, que a UBS ETF patrocinou, em parceria com a Funds People, um encontro com profissionais da gestão de ativos nacional. Da Caixagest marcou presença Guilherme Piedade, da IMGA, Ricardo Líbano e da BPI Gestão de Ativos, André Santos Pinto, selecionadores de fundos nas respetivas entidades. A UBS ETF esteve representada por Pedro Coelho, diretor da UBS ETF em Portugal e Espanha.

Guilherme_PiedadeE numa coisa todos os profissionais estão todos de acordo: a seleção de ETFs não fica aquém da seleção de fundos ao nível da complexidade. A liquidez e tamanho do instrumento são um ponto de partida transversal nas três entidades. Contudo outros critérios são igualmente vitais para uma seleção adequada. “A exposição máxima aos respetivos subjacentes é algo que encaramos de igual forma em produtos passivos e ativos”, introduz Guilherme Onofre Piedade. “Não temos limites fixos. Depende de cada carteira e classe de ativos. Um nível de 5% de exposição representa um limite confortável, mas esse máximo é ajustado em função da liquidez do ativo subjacente. Numa classe de ativos menos líquida poderemos não ir além dos 3%, enquanto noutras, mais líquidas, podemos ir além dos 5%”, explica.

Andre__PintoTambém o peso da posição do investimento nos ativos globais do ETF é de especial relevância, dada a dimensão destas entidades. “Ficar com uma parte significativa do ETF é algo que não queremos”, comenta André Pinto. “Temos portanto limites no peso que o nosso investimento representa no ETF investido. Por outro lado, uma das coisas que temos tentado ao longo dos últimos anos é diversificar em termos de providers. Se nos focarmos apenas na questão do tamanho acabamos concentrados em fundos de uma única entidade ”, comenta. Isto é algo com que Ricardo Líbano e Guilherme Onofre Piedade estão de acordo. “É exatamente para diversificar os providers que do nosso trabalho de seleção resulta um fundo de referência para cada segmento, mas também um conjunto de outras opções que cumprem os nossos critérios”, esclarece o profissional da IMGA enquanto o selecionador de fundos da Caixagest destaca que na sua equipa recomendam “sempre dois ETFs para cada classe de ativos”.

Liquidez

Ricardo_Li_banoPor outro lado, a liquidez do próprio ETF é de especial relevância na análise. Para Ricardo Líbano, “os volumes transacionados e os spreads bid-ask praticados no mercado são centrais no processo, mesmo quando as entidades que o providenciam permitem a transação ao Net Asset Value (NAV)”. No entanto, outros critérios como a existência de um histórico suficiente, e os restantes custos associados à gestão e comercialização dos ETFs, implícitos e explícitos, são para o profissional da IMGA e os seus homólogos peças importantes na engrenagem da seleção de ETFs. Neste tema André Pinto acrescenta que “muitas vezes não são os ETFs mais baratos que têm o melhor tracking error”.

Pedro_Coelho_UBSNa perspectiva holística que a sua posição de provider lhe configura, Pedro Coelho destaca efetivamente os spreads de transação, tamanho e liquidez como comuns pontos de partida, mas realça outros critérios. “É importante olhar para uma medida muito simples que se chama ‘tracking difference’ e se traduz na comparação da rentabilidade do ETF face ao seu próprio benchmark. Ao fim ao cabo, tudo o que é importante para determinar a qualidade do ETF se encontra refletido nessa rentabilidade. Custos, benefícios decorrentes do domicílio do ETF, uma boa gestão operacional do fundo... surgem sempre refletidos nesta medida”, explica o especialista. Por outro lado, este acrescenta um critério de seleção que estava um pouco esquecido, mas que ressurge como relevante no processo: a seleção do benchmark. “Os benchmarks são muito diferentes uns dos outros. Para investir em ações europeias podemos escolher o Eurostoxx 50, o MSCI EMU ou o Eurostoxx 600. São todos muito diferentes entre si. E em fixed income a diversidade acentua-se. Não basta que o ETF se chame investment grade para que se perceba imediatamente os ativos que o compõem”, conclui.

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