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Vantagens da gestão ativa para gerar alfa na China


(TRIBUNA de Duncan Lamont, responsável de análise e investigação da Schroders. Comentário patrocinado pela Schroders.)

A China não está suficientemente representada nos mercados de capitais globais e, por isso, conta com um peso extremamente reduzido nas carteiras de investidores em comparação com o tamanho dos seus mercados e da sua economia. A ponderação da China nos índices de referência é, de modo alarmante, pequena e é importante ter em conta que os provedores de índices são os donos do universo. No momento de selecionar investimentos, reger-se unicamente pelas suas decisões num mercado como o chinês parece-nos pouco sensato.

Falemos de números. O mercado de dívida chinesa, por exemplo, é o terceiro maior do mundo e representa aproximadamente 11% do mercado global, enquanto o seu mercado de ações representa em torno de 12% do universo global. Não obstante, os investidores internacionais só podem aceder a uma pequena proporção desses mercados. As ações chinesas representam apenas 4% do índice MSCI All-Country World e as obrigações do país denominadas em dólares americanos apenas representam meio ponto percentual do índice Bloomberg Barclays Global Aggregate. Entretanto, o seu mercado local de obrigações denominadas em yuanes, avaliado em mais de 11 biliões de dólares, foi excluído na sua totalidade dos principais índices de referência de obrigações.

A razão principal pela qual os ativos chineses contaram com uma representação tão escassa nos principais índices de referência é que as autoridades chinesas assim o quiseram, até agora. As estritas normas que limitam a titularidade estrangeira das empresas chinesas e os rigorosos controlos de divisas fizeram com que se tornasse incrivelmente difícil para os investidores internacionais aceder aos mercados locais do gigante asiático. As motivações do Estado chinês eram manter o controlo da estabilidade da moeda e da economia face a uma abertura maior dos seus mercados. Até há relativamente pouco tempo, não era fácil investir nos mercados locais de ativos chineses e, portanto, não cumpriam um dos requisitos chave para pertencer a um bom índice de referência.

Contudo, esta situação está a mudar. As autoridades finalmente decidiram flexibilizar os seus mercados. Como consequência, muito provedores incorporaram os ativos chineses nos seus índices de referência e os investidores já podem aceder às oportunidades que oferecem estes mercados. Esta mudança notou-se especialmente nas ações, ainda que também estejam a acontecer importantes avanços no mercado de obrigações.

Atualmente, a China já representa uma parte muito considerável da maioria das carteiras de ações emergentes, dado que conta com uma representação de 30% no índice de mercados emergentes de MSCI. Não obstante, o mercado interno de ações A continua a construir uma pequena porção dessa alocação. Representa unicamente 2% do índice MSCI China, e esta ponderação não fará mais do que aumentar para cerca de 10% em maio de 2020, se o MSCI levar a cabo os planos estabelecidos após a sua consulta de dezembro de 2018. Isto irá ocorrer apesar das ações A representarem cerca de 70% do mercado chinês por capitalização bolsista e número de empresas. Neste sentido, será necessário que passem vários anos para que as ações A formem uma parte significativa das carteiras dos investidores se esperam seguir o exemplo do MSCI.

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Neste cenário, consideramos que existe um argumento sólido para que os investidores atuem agora e complementem a sua alocação tradicional a ações emergentes com uma alocação independente das ações A. Esta abordagem irá garantir aos investidores acesso às empresas do mercado de ações A, mais diversas e orientadas para o mercado doméstico e de consumo. Assim, permitirá a geração de alfa numa medida em que não é possível alcançar noutros mercados.

No âmbito das obrigações, a Bloomberg começou a incorporar obrigações chinesas denominadas em moeda local no índice Global Aggregate, pelo que estes ativos começaram a fazer parte das carteiras de muitos investidores de forma proeminente. Contudo, a ausência de obrigações corporativas chinesas neste mesmo índice e a falta de indícios sobre se a situação mudará implica que não se consiga captar a oportunidade das obrigações chinesas continentais por completo se tivermos como referência o que fazem os índices quando tomamos as nossas decisões de investimento. O nosso conselho, uma vez mais, será que os investidores se afastem dos índices de referência de obrigações tradicionais e se proponham a realizar alocações a obrigações chinesas de forma isolada. O mercado de obrigações chinesas é muito grande, diverso e relativamente ineficiente, onde as empresas do mesmo sector e com a mesma qualificação contam com preços muito diferentes. Assim, conta com uma correlação muito reduzida aos principais mercados de obrigações e oferece um aumento de rendimentos face a outros mercados. Por esta razão, e do mesmo modo que acontece com as ações, é necessário abordar esta classe de ativos de forma diferente.

Como norma geral, os índices de referência constituem um bom método para determinar o nível de rentabilidade, mas, no caso da China, basear as nossas estratégias de investimento unicamente na decisão destes de aumentar ou não a sua alocação é questionável.

Num mercado como o chinês, não faz sentido replicar com exatidão as ponderações dos índices e expor-se a um valor só porque se inclui num índice, ou evitar outros possíveis investimentos só porque não se tiveram em conta. Os investimentos deveriam ganhar alento pelo potencial das rentabilidades ajustadas ao risco atrativas, não deviam sentir-se limitados pelos índices. Por sorte, o mercado doméstico chinês já é acessível e os investidores têm a possibilidade de adotar uma abordagem para poder aceder todas as oportunidades que oferece.

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