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Update do ABC Jupiter Dynamic Bond


Em março de 2015, Katharine Dryer, na altura product specialist director na Jupiter Asset Management, vinha a Lisboa falar daquele que continua a ser um dos produtos mais emblemáticos – e requisitados – do mercado português. O Jupiter Dynamic Bond, fundo com o triplo selo Funds People, continua a merecer nos seus principais atributos uma característica que já há dois anos era mencionada: a sua total flexibilidade. A atual head of investments, fixed income & multi-asset da Jupiter AM, novamente de visita a Lisboa, num almoço com clientes, começou por explicar algumas mudanças na constituição da equipa, que introduziram, segundo ela, ainda mais robustez à área de fixed income da casa.

Quanto ao produto, Katharine Dryer começou por ser perentória ao referir que “a filosofia do fundo não mudou”. Destacou, contudo, que no atual contexto de mercado estão mais do que nunca focados na “gestão do risco de queda do mercado”. Mesmo não se tratando de um fundo de retorno absoluto, a especialista explica que continuam a privilegiar a manutenção dos retornos em território positivo. Com muito poucas restrições no que toca à qualidade de crédito ou ao nível dos sectores, conta que atualmente têm duas nuances que importa salientar no fundo: a introdução de títulos com duração negativa e o investimento em algumas obrigações convertíveis relacionadas com o ouro. No que diz respeito a este último aspeto, fala de um investimento quase que oportunístico e pontual, pois gostam de apresentar aos investidores “um fundo que se concretiza numa construção de blocos muito clara”. 

Uma mudança de mentalidade

Jupiter rend

Embora mais focados na performance futura do fundo, a profissional lembra que o produto entrega, desde o seu lançamento, um retorno de 33%, enquanto que desde o início do ano (dados de final de outubro) alcança 4.1% de ganhos.

Uma das grandes mudanças efectuadas no fundo durante 2016 diz ter sido algo que proveio de “uma substancial mudança de mentalidade”. Conta que no início do ano, Ariel Bezalel – gestor à frente do fundo – apresentava uma preocupação muito específica em relação ao mercado de fixed income: a deflação. No entanto, hoje em dia, o principal inimigo do gestor e head of strategy da entidade é outro: a inflação. Nesta conversa com os clientes, Katharine Dryer explica que durante o verão, por exemplo, reduziram a duração do fundo (para 2.9 anos), e depois da eleição de Trump reduziram-na ainda mais (2.3 anos). “O fundo passou de uma perspetiva de longa duração no primeiro trimestre do ano, para um portefólio que atualmente tem um bias muito mais de short-duration”, resumiu.

duration

O que deu suporte ao produto

Na contribuição para a performance do fundo, a especialista destacou as obrigações soberanas, mas também o amplo número de sectores que o têm favorecido. O sector financeiro, por exemplo, foi um dos que mais favoreceram o produto, “nomeadamente a área de obrigações subordinadas”. Ao nível dos países, continuam, como já acontecia em 2015, a privilegiar a dívida soberana australiana. É por causa dessa sobreponderação que apresentam um valor negativo em ‘currency forwards’, “que resulta do custo de fazer hedging das obrigações soberanas australianas”. Explica que embora gostem deste tipo de obrigações pelas yields favoráveis que oferecem, não gostam da moeda subjacente. Por isso, preferem pagar para fazer a sua cobertura. Outra das componentes que têm vindo “a aumentar de forma consistente” durante o último ano é a exposição a dívida de mercados emergentes, alocando a esta região atualmente quase 15%.

Num espectro oposto – áreas que não favorecem – explica que têm vindo a assumir posições curtas nas obrigações soberanas alemãs a 10 anos. A conexão a dívida soberana de outros países europeus também não é grande, apesar de recentemente terem “adicionado uma pequena percentagem de dívida grega”, muito por causa da “esperança de assistirem a um resultado positivo nas negociações da dívida do país”. No campo do high yield não gostam do high yield norte-americano,  mas apreciam a atratividade da dívida de bancos britânicos. No portefólio encontram-se atualmente nomes como HSBC ou Lloyds.

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