Update ao Old Mutual Global Equity Absolute Return Fund


O fundo Old Mutual Global Equity Absolute Return Fund (com selo Funds People de favorito dos Analistas e Blockbuster) apresenta-se como um produto com um baixo beta e uma correlação com o mercado diminuta. “Um verdadeiro market neutral”, com uma muito baixa correlação com os mercados de ações. A preocupação com a liquidez do fundo é cada vez mais um dos pontos de grande atenção da equipa gestora. Amadeo Alentorn, portfolio manager da Old Mutual Global Investors, fez questão de abordar essa questão, em primeira análise, num almoço com investidores em Lisboa. “Apesar do tamanho do fundo, que é já de cerca de 15 mil milhões de dólares, temos a capacidade de liquidar metade do produto em poucos dias. Sendo este um fundo global com um foco em grandes capitalizadas, tanto através de posições longas como curtas, a liquidez do produto tem vindo a aumentar por duas razões. Em primeiro lugar porque temos essa promessa da liquidez diária perante os nossos investidores, mas, mais importante do que isso, porque precisamos desse nível de liquidez para sermos capazes de implementar as rotações entre estilos de investimento, títulos e sectores que o nosso processo de investimento exige e se propõe”, salientou.

A definição de retorno absoluto seguida pela casa baseia-se na “ideia de entregar retornos positivos numa base de doze meses” e, Amadeo Alentorn, não esconde o sucesso nessa tarefa: “É precisamente isso que o fundo tem feito”.

O grande foco no processo de gestão do risco foi outro dos pontos abordados. O especialista realça que o fundo nunca excede os 6% de volatilidade ex-ante e, durante a toda a vida do fundo, a volatilidade realizada tem sempre rondado os 5%. Em termos de resultados, o especialista aponta um retorno anualizado, líquido de comissões, de 6% e um sharpe ratio próximo de 1.2.

Os resultados obtidos refletem, segundo a entidade, algumas decisões certeiras da equipa de gestão. Amadeo destaca que uma das questões importantes no fundo é “conseguir identificar o estilo de investimento onde investir em cada altura do ciclo”, tendo sido esse um dos factores que tem “permitido entregar uma performance bastante consistente ao longo do tempo”. O mês de fevereiro foi naturalmente um teste à estratégia: “O momentum foi uma abordagem bastante difícil de implementar em fevereiro; todos vós que tinham CTA’s na carteira percebem o que é que eu estou a dizer. Contudo, é de assinalar que, mesmo assim, nos saímos bem no mês de fevereiro”, atestou.

Os cinco critérios de seleção de ações

Dos cinco critérios de seleção nas ações levados a cabo pelo fundo – dynamic valuation (value e quality), crescimento sustentável, analyst sentiment, equipa de administração e dinâmicas de mercado – o profissional começou por falar da exposição a empresas value, que ao longo do tempo tem variado entre 0% e 27%. “Hoje em dia essa exposição cifra-se apenas nos 7%, especialmente quando comparado com há 18 meses atrás quando Trump foi eleito, altura em que se situava nos 23%”, afirma o profissional. A exposição a empresas de qualidade, por sua vez, é mais alta, atualmente por volta dos 14%. Os restantes critérios, segundo o especialista, têm-se mantido relativamente estáveis em carteira. Amadeo Alentorn lembrou, contudo, que, no que toca ao ‘analyst sentiment’, este caiu justificado pelo aumento da volatilidade recente.

Cautela no sector financeiro

Em termos sectoriais, o especialista alertou que embora o fundo seja market neutral, não é, no entanto, ‘sector neutral’. Destaca, nos últimos 12 meses, que o sector com maior longevidade na parte longa da carteira tem sido o de tecnologia (8.7%). Esta posição tem ganho forma, segundo o profissional, empresas de semicondutores e produtores de componentes.

A exposição ao sector financeiro é neutral. Contudo, materializa-se numa exposição longa ao sector segurador de 7%, balanceada com uma posição curta em bancos de 7% também. “Bem sei que os bancos vão beneficiar do aumento de taxas daqui a um ano ou dois, mas nós ainda não estamos nessa fase. O caminho do aumento das taxas ainda vai demorar tempo, e este portefólio propõe-se a capturar as oportunidades de curto/médio prazo; tendo em conta o turnover que apresentamos - a “idade média” de uma posição em carteira é de 3 a 6 meses – preferimos continuar curtos em bancos e longos em seguradoras”, explica.

Relativamente às posições curtas em carteira, o especialista fez questão de salientar a estabilidade no sector das telecomunicações. “Este sector tem sofrido pelo excesso de procura de produtos como os ETFs ou as estratégias baseadas em factores. As valuations de algumas destas empresas tornaram-se, portanto, muito caras e, por isso, continuamos a tirar vantagens das correções dessas ‘overvaluations’”, especifica.

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