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Umberto Boccato (Mirabaud AM): “Historicamente, os hedge funds saem-se melhor em mercados mais voláteis.”


A volatilidade passou a ser um dado quase que adquirido na equação dos mercados financeiros atualmente. A vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas e o Brexit, por exemplo, são dados indicativos de que vivemos num mundo com mudanças de paradigma. Umberto Boccato, head of alternative investments da Mirabaud Asset Management, acredita que os dados sobre hedge funds são justificativos da utilidade que os instrumentos alternativos executam em alturas de mercado menos previsíveis. “Historicamente, os hedge funds saem-se melhor em mercados mais voláteis. Por exemplo, neste caso em específico depois da eleição de Trump, em que as certezas são poucas sobre o que está para vir, espera-se alguma volatilidade, e os hedge funds poderão ser uma boa alternativa ”, introduz.

Tomando como exemplo dois fundos alternativos da casa – o Haussmann e o PMOF-High Income Fund – Umberto Boccato explica como executam o processo de seleção de um hedge fund para integrar um portefólio. “Uma das fontes que utilizamos são os prime brokers que providenciam os hedge funds. A segunda fonte são os gestores que nós conhecemos no próprio mercado, e que de alguma forma acabaram por formar o seu próprio hedge fund. Antes de selecionarmos esse potencial gestor, recolhemos todos o tipo de informação financeira existente, de forma a executarmos um primeiro screening”. Depois desse primeiro screening, explica, “encontramo-nos com o gestor e outros profissionais de investimento do hedge fund”. “Só falando com o gestor conseguimos perceber verdadeiramente a filosofia de investimento e o processo. Se não fizermos isso, estaremos apenas a avaliar números”, refere. Do lado operacional – muito importante para evitar casos como o de Madoff – analisam “as contrapartes e todos os documentos legais de forma a assegurar que tudo é feito de forma apropriada”.

Ainda nesse processo de seleção, explica que têm uma postura muito bottom up, o que “permite escolher os melhores ingredientes na construção do portefólio”. Elabora, referindo que embora a visão global não seja o fio condutor da alocação, “tentam ter uma exposição global dentro dos portefólios”.

A competição dos hedge funds UCITS

Depois de 2008, e com o caso Madoff, a palavra hedge funds passou a ter uma conotação pouco positiva. Confrontado com a eventual concorrência que as semelhantes estratégias UCITS podem configurar, o head of alternative investments, explica que o profissionalismo é sempre o que deve ser tido em conta. “Há bons e maus profissionais em todos os sectores, e no caso dos hedge funds as exigências são grandes”.  “Respeito muito o facto dos clientes quererem liquidez, mas os clientes também têm de perceber que atualmente têm de estender o seu horizonte de análise para conseguirem obter resultados”, reitera.

Acredita que os fundos de fundos, como é o caso dos produtos alternativos da casa, têm vindo a sofrer alguma pressão nos últimos tempos, que se estende também aos próprios hedge funds em geral. Entende que o desenvolvimento da indústria tem vindo a induzir em erro alguns clientes, pois muitos deles estavam convictos de que “os hedge funds poderiam ser uma espécie de substituto das ações”. Contudo, depois da crise financeira, com o “bull market das ações a tomar lugar, muitos clientes aperceberam-se que os hedge funds não estavam absolutamente correlacionados com o mercado e decepcionaram-se”. Deste modo, há que deixar claro que o papel dos hedge funds não é ocupar o lugar das ações, mas sim, proporcionar uma ainda maior diversificação à carteira.  Refere também que “embora atualmente não exista um crescimento orgânico neste mercado de produtos na Europa, nos EUA esse crescimento existe, com o tamanho da indústria a crescer ano após ano”.

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