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“Uma viva imagem de um processo mal gerido”


Sobre a crise ocasionada pela demissão de Gaspar em Portugal, a modo de comentário, parece que é a viva imagem de um processo mal gerido no qual uns e outros pretendem, enfrentam, como se fossem posições antagónicas, a constituição e a austeridade. Portugal não deve reescrever nem reinterpretar a sua constituição, assim como renunciar à austeridade. A permanência no euro é uma questão de sobrevivência económica, mas também, um espaço privilegiado para a defesa de direitos fundamentais.

Embora a demissão estenda o seu efeito mais imediato aos mercados de acções portugueses e dívida pública (o que já se fez sentir na sessão de ontem), sem dúvida que a situação criada se resolverá, como tantas outras, com compromissos. Portugueses e europeus já demonstraram a sua capacidade de alcançar compromissos razoáveis, recentemente mediante a extensão do prazo de devolução do resgate.

Portugal tem a hipótese de aproximar-se da Irlanda, Espanha e Itália, que têm um relativo acesso aos mercados. A necessidade de acordos e compromissos é óbvia e interessa a todos: sem eles, o mais provável é que Portugal volte a necessitar de ajuda no futuro. E depois do fiasco do Chipre, não seria demasiado um pouco de solidariedade por parte da Zona Euro. Depois de tudo, a solidariedade está na essência do nascimento do projecto europeu e é a condição necessária para que um processo mal gerido, nos seus inícios, alcance, pelo menos, um final razoavelmente feliz.

 

(À hora de envio do comentário ainda era desconhecida a demissão de Paulo Portas e as consequências que isso poderá originar). 

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