Uma solução multiasset, ativa, sem restrições – e sem poluição


A Allianz GI concluiu recentemente mais um passo rumo a uma gama de produtos totalmente sustentável. Desde o final do ano passado que a família de fundos Dynamic Multi Asset Strategy (DMAS) passou a integrar critérios ISR nas suas decisões de investimento

Segundo Marcus Bayer, Multi Asset Product Specialist da AllianzGI, esta mudança surge com naturalidade. “As alterações climáticas e a preservação do planeta são cada vez mais importantes e estão mais presentes na consciência das pessoas”, começou por contextualizar numa recente entrevista à Funds People, salientando a urgência de “desenvolver soluções para oferecer aos clientes que incorporem e reflitam investimentos socialmente responsáveis”.

O especialista explica assim que a estratégia da família DMAS assenta em quatro pilares: um universo de investimento vasto, podendo investir em diversas classes de ativos; alocação de ativos dinâmica e flexível; gestão ativa de risco e, por fim, seleção ativa de títulos, “que agora integra os critérios ISR”. Assim, são excluídos do fundo quaisquer títulos de empresas contrários aos princípios do UN Global Compact, relacionados com produção de armamento, tabaco, extração de carvão, entre outras atividades com uma forte pegada ecológica e social.

Os principais investimentos do fundo são obrigações e ações globais, cuja seleção segue duas abordagens específicas: advanced fixed income e best styles, respetivamente”, prossegue Marcus Bayer. A primeira visa a otimização do perfil de rentabilidade-risco da carteira de obrigações, através de uma constante avaliação e classificação dos títulos, acrescida de uma grande flexibilidade. “Se encontramos uma obrigação com o mesmo nível de risco, mas com um retorno ligeiramente mais alto, então trocamos para esse título”, assume o profissional. “A ideia por trás desta filosofia é a de ter uma gestão de obrigações pouco volátil; queremos somente ultrapassar o índice”, assegura.

Já nas ações, a metodologia best styles segue uma abordagem de investimento de factor investing, em que é atribuída uma de cinco classificações a cada ação: value, momentum, earnings revision, growth e quality. Posteriormente, é atribuído um peso a cada segmento que é refletido na carteira de ações, sendo essa ponderação mutável de acordo com o contexto económico vigente. Com a presença de mais de 200 ações, “a carteira encontra-se bem diversificada e, por isso, existe a necessidade de ter um grande universo de investimento”, explica o especialista. “Não queremos ter uma carteira de convicção, pois estas podem ser muito voláteis”, assume. 

Está reservada a estas duas classes de ativos uma alocação de 60% a 80% da carteira, o que deixa espaço para que existam até 40% investidos noutras fontes de rentabilidade, denominados investimentos-satélite. Estes são “investimentos oportunísticos, utilizados para investir em determinada classe de ativo ou segmento, por exemplo em mercados emergentes”, explica o profissional. Para tal, não são utilizadas ações individuais, dando preferência a índices, ETF e fundos de gestão ativa de outras entidades. “Queremos investir apenas na classe de ativos, o alpha adicional proveniente da seleção de títulos não é importante”, afirma.

Contudo, a exposição a índices e veículos de gestão de terceiros levanta problemas que não têm lugar na seleção de títulos individuais. “Nem todos os índices adotam critérios ESG”, expõe Marcus Bayer, esclarecendo que, “assim, permitimos um certo montante de ‘poluição’ no fundo, até um máximo de 20%”. “Estamos convencidos de que, no futuro, teremos mais instrumentos disponíveis para os nossos investimentos satélite, que também serão socialmente responsáveis”, sentencia.

Com três classes diferentes disponíveis, as estratégias DMAS distinguem-se de acordo com o perfil de risco do investidor. “O número no nome (15, 50 e 75) indica a proporção de ações presentes no benchmark”, explica o especialista, salientando a flexibilidade da família de estratégias. “Esta é uma solução muito flexível que se pode adaptar a qualquer condição de mercado; não temos restrições e, de agora em diante, refletimos os critérios ISR”, conclui.

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