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Uma estratégia defensiva e com um forte downside capture


“A nossa opinião é de que os últimos meses foram mais uma correção do que propriamente o início de uma recessão”. É assim que Richard Gillham, US equity investment director da Legg Mason, define o contexto do mercado norte-americano nos últimos meses, defendendo que o surgimento de uma possível recessão só será mais provável a partir de 2021. “Os nossos indicadores não apontavam para uma recessão no final do ano passado, tal como não apontam para tal neste momento. Concordamos que nos encontramos em fase de final de ciclo, existindo uma desaceleração dos indicadores económicos, mas este último movimento foi muito mais impulsionado pelo sentimento/emoção e por factores técnicos do que propriamente por factores fundamentais”, aponta o especialista.

Esta visão é suportada pela análise proprietária da entidade, análise essa que dá origem ao ‘recession dashboard’ – um conjunto de 12 indicadores que consideram ser bons indicadores de previsão de uma recessão. “No final de dezembro vimos que alguns deles passaram para o amarelo, como foi o caso da curva de yields, dos spreads de crédito e ‘money supply’. Contudo, a cor predominante continua a ser o verde, um sinal de que não existe uma recessão por perto – se fosse esse o caso, a maior parte dos indicadores estariam no amarelo, significando que uma recessão estava perto de surgir nos 12 meses seguintes”, explicou Richard Gillham.

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Pico dos lucros empresariais não implica uma recessão iminente

Uma das percepções que o especialista tem vindo a constatar é de que o facto dos lucros empresariais parecerem ter atingido o pico no ano passado significa que os retornos começarão a cair cada vez mais e que a economia estará a caminho de uma recessão. Esta ideia, para Richard Gillham, não parece estar em linha com a realidade. “Na verdade, muitos dos indicadores sugerem que este será um ciclo económico mais amplo. Olhando para o período entre o momento em que os resultados por ação atingiram um máximo e o momento em que uma recessão realmente surgiu, verificamos que este intervalo foi, em média, de 39 meses. Portanto, o facto dos lucros empresariais terem atingido o máximo não significa automaticamente o surgimento de uma recessão”, detalha.

O especialista defende, assim, que ainda existem oportunidades para serem aproveitadas seguindo uma abordagem ativa de stock-picking, e que esta não é uma fase na qual os investidores se devam tornar demasiado defensivos. Para este ano, por outro lado, “a performance do mercado norte-americano deverá ser impulsionada por uma modesta expansão dos múltiplos, um crescimento saudável dos lucros empresariais, um consumidor resiliente e uma possível resolução no âmbito da guerra comercial”, refere.

Beneficiar da alteração da liderança de mercado

Para Richard Gillham, os últimos anos têm ficado marcados pela liderança e pelo domínio da performance do factor momentum. Contudo, nos próximos tempos deverá ser possível verificar-se uma alteração nesta dinâmica, com os retornos a serem impulsionados por factores mais fundamentais.

E, neste contexto, o Legg Mason ClearBridge Large Cap Growth Fund surge como um dos fundos mais bem posicionados para beneficiar desta mudança no mercado. Esta é uma estratégia cuja equipa de gestão é bastante estável, e que segue um processo de investimento que coloca o modelo de negócio no centro das decisões, procurando modelos de negócio sólidos e sustentáveis. “A construção do portefólio foca-se na sua durabilidade, isto é, procuramos construir um portefólio capaz de registar boas performances nas várias fases de mercado e gerar um excedente de retorno ao longo do ciclo de mercado”, detalha o especialista.

A carteira – que é relativamente concentrada, com cerca de 50 posições – detém um horizonte de investimento a longo prazo e apresenta um baixo turnover, de cerca de 25% numa base anualizada. Por outro lado, investe em três áreas core: ações cíclicas, ações estáveis e ‘select’. As primeiras são empresas como a Caterpillar, que são empresas mais sensíveis ao momento económico mas que a equipa acredita que podem crescer, encontrando-se com valuations bastante atrativas. As ações estáveis, por sua vez, são empresas como a Coca Cola, com receitas sólidas e recorrentes. Já as ‘select’ são empresas com um crescimento significativo e pelas quais a entidade está disposta a pagar uma valuation maior, como é o caso de empresas de semicondutores ou de biotecnologia.

A estratégia apresenta um longo track-record, “que foi construído ao participar em mercados fortes, ainda que o mais importante seja a proteção do capital no downside”, aponta Richard Gillham. Esta capacidade resulta, segundo o especialista, da visão contrarian em determinados períodos e do investimento em empresas com modelos de negócio de alta qualidade.

“O que é realmente interessante é o perfil de retorno ajustado ao risco desta estratégia, que resulta da forma como soubemos gerir o orçamento de risco e convertê-lo em retornos, levando a cabo um processo de stock-picking em detrimento de uma alocação top-down”, explica. Outro dos elementos que o especialista destaca é o perfil bastante baixo de dívida sobre capital em comparação com o índice, o que permite que a estratégia seja bastante defensiva e apresente uma captura de downside interessante.  

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