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Uma carta de um taxista Indiano ao Primeiro Ministro Chinês


Ler livros é um prazer enorme que cultivo e que, acima de tudo, me diverte e me permite navegar e conhecer realidades ainda não viajadas.

Ter a sorte ou o privilégio de poder dar a conhecer alguns dos livros que mais me fizeram viajar foi em primeiro lugar uma surpresa, pois não esperava este convite, e em seguida uma luta... acerca de que livros deveria eu escrever? Quais os que mais me marcaram? Mainstream ou os outros? E por fim a eterna pergunta, que ainda persiste, serei eu capaz?

Após algumas semanas a pensar numa lista de três ou quatro livros iniciais decidi colocá-la de lado e eleger o primeiro livro que ao acordar surgisse na minha mente. Este seria o PRIMEIRO ELEITO.

Fui fiel ao plano e o PRIMEIRO ELEITO é uma obra sem igual, de um escritor novo de idade e de livros. Aravind Adiga de seu nome, nascido na Índia em 1974, lança o seu primeiro romance “O Tigre Branco” e é de imediato reconhecido com o Man Booker Prize 2008.

A história está longe de ser simples, apesar de ser simples a leitura, e longe de ser uma comédia, como o título desta crónica poderá dar a entender. Pelo contrário, o livro retrata de forma fantástica uma Índia actual, na perspectiva de um “empreendedor social”, um taxista que decide escrever uma carta ao primeiro ministro Chinês preparando-o para o que este irá encontrar na sua primeira e esperada visita à “sua” Índia.

Balram, o auto denominado “empreendedor social” explora uma Índia negra e coberta de disparidades e injustiças sociais revelando uma capacidade de análise fora de série, inesperada talvez. Utiliza uma forma de escrita que se assemelha a uma oração, pela forma corrida em que todos os acontecimentos se encadeiam, sem “vírgulas”, de uma forma tão simples que pouco ficará por dizer.

Enfim, traduz uma análise social feita por um aldeão que consegue construir a sua vida de empreendorismo numa Índia coberta de injustiças sociais, corrupção e atrocidades para quem não quer, ou não tem, a oportunidade, de se imiscuir no mundo dos interesses e grupos que controlam a sociedade em todos os seus capítulos.

Na minha opinião é um livro que será sempre actual, excepto se a Índia muito mudar, e de LEITURA OBRIGATÓRIA.

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