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Uma abordagem sistemática ao investimento por factores


O investimento por factores é um tema que tem ganho relevo e reconhecimento entre os investidores institucionais. Academicamente tem-se desenvolvido um número exponencial de estudos e têm-se descoberto todos os anos novos factores significativos estatisticamente. Estes estudos comprovam a existência de mais de 300 factores e um potencial de rentabilidade interessante em alguns deles. Algumas casas de investimentos têm capitalizado nestes estudos e lançado fundos ou ETFs que beneficiam da exposição a factores específicos e proporcionam o acesso a investimentos com características de risco, retorno e correlação que potenciam  a construção de portefólios diversos e adequados a diferentes perfis de investidor.

Dando um passo mais além, a SYZ Asset Management lançou há sensivelmente um ano, uma estratégia que agarra em seis desses factores - aqueles que optimizam, na visão da sua equipa quantitativa, a relação de risco retorno e a descorrelação com o mercado – e construiu uma estratégia long-short que vem dar resposta às necessidades dos seus clientes, o Oyster Equity Premia Global.   

“Criámos este produto em resposta à procura do mercado. Num contexto de mercado em que os nossos clientes veem as obrigações e as ações como caras, queríamos proporcionar o acesso a um produto que proporcionasse um retorno interessante e menos correlacionado. E escolhemos uma estratégia sistemática para o efeito”, diz Guido Bolliger, PHD, co-head of quantative solutions e portfolio manager na entidade.

As razões para a sistematização da estratégia são várias. “Os factores estão constantemente em mutação. Alguns revertem para a média, outros sofrem com a rotação sectorial e quando não se ajusta a exposição sectorial poderemos sofrer de uma grande bias a esse nível. O acompanhamento quantitativo e sistemático ajuda a minimizar estes desvios”, comenta o especialista.

Em segundo lugar, Guido Bolliger trás para cima da mesa a questão do risco e da importância da sua adequada gestão. “É importante imbuir a gestão do risco no processo de investimento. Há que construir o portefólio incutindo qualquer restrição ao nível do risco no processo de construção, por oposição a uma intervenção posterior das equipas de risco”, explica.

Os seis factores

Das centenas de factores disponíveis, a equipa de Guido escolhe assim focar em seis. São eles Value, Momentum, Quality, Safety, Size e Management. Elegem estes seus por vários critérios. “Primeiro, são factores que estão bem documentados internacionalmente. São factores que têm funcionado durante muito tempo e em muitos mercados. A segunda razão é que, para cada um dos factores encontram-se razões lógicas pelas quais ações com essas respetivas características apresentam uma melhor performance no longo prazo. Por fim, e talvez a razão mais importante, é a diversificação. Falamos de prémios de risco que se complementam porque são pouco correlacionados entre si”, explica.

Além disso, o profissional da SYZ AM argumenta que investir com base no timming em cada um dos factores é muito difícil e não há qualquer factor que individualmente apresente resultados positivos em todos os anos, pelo que preferem “construir o portefólio com base no seu potencial conjunto e benefícios de diversificação”.

É, portanto, uma estratégia construída com base na análise sistemática das ações, com enfoque nos diferentes factores de risco, em que a conjugação dos mesmos com uma implementação eficiente das posições curtas permite uma posição de neutralidade face ao mercado (beta neutral). Imbuído em todo o processo, o controlo dos riscos é central na construção do portefólio.

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