Uma abordagem holística para medir as mudanças climáticas


As mudanças climáticas são um tema crucial para os investidores, as empresas e para a sociedade em geral. Não é algo que possamos ignorar já que de uma forma ou e outra estão a afetar muitos aspetos da nossa vida, inclusive no campo dos investimentos.

Cientistas e políticos fixaram como objetivo reduzir o aquecimento global em 2ºC para 2030. Isto significa reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 80% nos próximos 30 anos até que chegue a zero nos 10-20 anos seguintes. Atualmente, em média, uma pessoa gera emissões de carbono semelhantes à média de um francês (4.57). Este número tem de ser reduzido até alcançar a média de emissões de um paquistanês (0,9) numa geração.

Conseguir estes resultados requer uma mudança radical nos nossos comportamentos. A economia global é muito dependente dos combustíveis fósseis, que representam 80% da energia total. Eliminar esta dependência implicará investir dois biliões de dólares por ano em tecnologias limpas e aumentar as penalizações por emitir CO2.

Se não implementarmos estas medidas, enfrentaremos um cenário catastrófico no qual os riscos serão muito mais altos. Especificamente, a equipa de economistas da Schroders estimou que o PIB global poderá ser reduzido em metade no fim do próximo século se não tivermos mão nas mudanças climáticas.

Para a Schroders é fundamental entender como é que este tipo de mudanças podem afetar os investimentos dos nossos clientes. Por esta razão, centrámos a nossa investigação em duas questões principais: por um lado, identificar quando se vão intensificar os efeitos das mudanças climáticas; e, por outro lado, tentar medir o impacto que as mudanças climáticas terão nas empresas em que investimos.

Para prever a rapidez com que este fenómeno deixará de ser uma questão que nos deve preocupar no futuro e se tornará num risco real atual, desenvolvemos o Climate Progress Dashboard, que oferece uma visão transparente e objetiva e deverá ajudar os investidores a basear as suas decisões de investimentos na probabilidade, em vez de se basearem nos cenários que gostariam de presenciar.

O dashboard monitoriza uma série de indicadores (ação política, uso de energias renováveis, vendas de carros elétricos...) e estima o impacto que terão nas temperaturas. Ao contrário das outras metodologias, o dashboard permite ter uma visão integral sobre as mudanças climáticas já que nenhuma variável, por si só, é suficiente para quantificar os avanços que se realizam para combater este fenómeno. Atualmente o dashboard indica que as temperaturas aumentarão 3,9ºC, dado que nos mostra que ainda há muito trabalho para fazer para cumprir os objetivos fixados em Paris.

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Não obstante, é de igual importância ser capaz de medir o quão longe estamos de cumprir o Acordo de Paris como entender que consequências terá este compromisso para os nossos investimentos.

Para poder responder a esta pergunta é crucial entender o que mudará e o que significarão estas mudanças para as valorizações das empresas em que investimos. Com este fim, na Schroders, analisámos os seguintes desafios: a subida do preço do carvão nos custos das empresas, os preços do produtos e a procura dos mesmos; a reatribuição de capital favorecendo as atividades limpas; o impacto da redução do uso de combustíveis fósseis no sector petrolífero, de gás e na indústria do carvão; e, finalmente, o impacto dos efeitos físicos derivados das mudanças climáticas nos ativos das empresas. Uma vez mais, dispor de uma visão conjunta que aglutine todos os desafios permite-nos ter uma ideia dos riscos que deverá enfrentar cada empresa e permite-nos a nós, analistas e gestores de fundos, identificar os vencedores e os vencidos.

As mudanças climáticas serão um dos fatores de investimentos mais relevantes para os próximos anos e para as próximas décadas. Por esta razão, na Schroders queremos estar o mais preparados possível para ajudar os nossos clientes a gerir os riscos e identificar as oportunidades deste fenómeno.

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