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Um grande passo para Grécia... um pequeno passo para a zona euro


Oito anos depois da Grécia ter começado a emitir sinais de alarme, começa a surgir uma luz ao fundo do túnel. Esta semana, a UE encerrou, de forma oficial, o procedimento por défice excessivo do país, aplicado em 2009, quando o seu défice público excedeu a barreira dos 3% do PIB grego (durante aquela altura chegou a alcançar os 15,1% do PIB). Entretanto, o país foi exposto a três resgates, a uma reestruturação da dívida, inúmeras crises políticas e, inclusive, foi o primeiro país desenvolvido a ser despromovido para emergente (foi desta forma que o provedor do índice MSCI o categorizou em 2013).

“A Grécia tem registado um progresso substancial ao resolver os seus desequilíbrios económicos (isto é, consolidação e desvalorização interna), ainda que com custos bastante elevados para a sociedade”, adianta Hans Bevers, economista-chefe na Degroof Petercam.

O especialista comenta que “o crescimento económico voltou modestamente”, mas sublinha os desafios que o país ainda enfrenta: “Vulnerabilidade das finanças públicas, evasão fiscal significativa, balanços pouco saudáveis no sector privado e obstáculos estruturais para o investimento”, aliado ao facto de que “a dívida pública parece manter-se insustentável numa perspetiva a longo prazo”. o especialista afirma, tendo em conta estas observações, que “parece necessário fazer mais para resolver o problema, inclusive um alívio total da dívida”.

Luca Paolini, estratega-chefe na Pictet AM, recorda que, para além de continuar com deveres pendentes, a Grécia, por si só, é uma tarefa que a Europa necessita de resolver: “Foram desbloqueados os fundos de resgate (bloqueados em janeiro), tendo em conta a recomendação da Comissão Europeia para que o país saísse do procedimento por défice excessivo, mas continua a suportar uma dívida de mais de 179% do PIB". De facto, a Alemanha facilitou a flexibilização monetária, permitindo à Grécia refinanciar-se”, acrescenta o especialista.

François Raynaud, gestor da Edmond de Rothschild AM, também considera que o fim do procedimento por défice excessivo “é mais uma confirmação formal dos esforços realizados pela Grécia, do que um ponto de viragem”. No fundo, é a constatação de que o défice fiscal foi reduzido para menos de 3%, juntamente com a previsão da UE de que a relação dívida pública/PIB seja reduzida, um cenário que “se baseia numa hipótese otimista de manter o superavit primário nos 3,5% do PIB até 2022”.

Raynaud recorda que a Grécia “continua sob a supervisão da UE e continua a depender da vontade política”. Na sua opinião, é precisamente esta situação “a razão pela qual os resultados das eleições alemãs são ainda mais importantes”. Refere, ainda, que a formação de uma coligação na qual pode participar o partido liberal FDP poderá ter um impacto direto no futuro dos gregos: “O partido está contra o fortalecimento da zona euro e está relutante quanto a ajudar os países periféricos”. Não obstante, o especialista considera que “esta posição, provavelmente, moderar-se-á por causa da visão oposta dos verdes, e porque não se pode excluir por completo que os dois partidos possam não conciliar-se, obrigando Angela Merkel a sondar o SPD”.

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