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Um depositante é um credor de um banco


No passado mês de Junho, os ministros das finanças da zona euro chegaram a um princípio de acordo para que a partir de 2018, os depósitos de valor superior a 100.000 euros possam ser abrangidos no resgate a um banco.

Actualmente o Fundo de Garantia de Depósitos protege os depósitos até 100.000 euros por titular de conta e por banco.

Com a crise financeira iniciada em 2007 embora de forma mais vincada em 2008, os depositantes perceberam finalmente que quando efectuam um depósito num banco, poderão perder capital, uma vez que na prática, ao fazer um depósito, o depositante está a financiar o banco, ou seja, é um credor do mesmo.

A mudança do paradigma de salvação dos bancos, de bail-out para bail-in é bem vinda, na medida em que consciencializa os depositantes para os riscos da actividade bancária.

Os bancos vão ter que ser mais racionais e cautelosos na sua gestão e os depositantes já sabem que a partir de certo valor, o seu dinheiro está em risco. Ou seja, vamos subir vários níveis em termos de educação financeira.

Não há almoços grátis, pelo que a partir de agora, os depositantes vão estar mais atentos aos bancos, às suas contas, à sua solvabilidade e aos seus níveis de alavancagem. Especialmente, devem estar atentos aos bancos que oferecem uma remuneração significativamente mais alta que os demais pelos depósitos a prazo.

Quem tem muito dinheiro e possui um perfil de risco bastante conservador, ou seja, grande parte dos seus activos financeiros sob gestão estão em liquidez / depósitos, vai ter que analisar o risco dos bancos e vai ter que efectuar alguma diversificação, quer das instituições financeiras em que confia, como dos produtos financeiros onde aplica.

Uma vez que já não estou a trabalhar profissionalmente na gestão de activos financeiros, entre os quais fundos de investimento (mas onde trabalhei mais de 23 anos), tenho total independência para afirmar que uma das melhores alternativas para os depositantes concretizarem essa diversificação na aplicação de capitais, é através de fundos de investimento (nacionais e internacionais).

A panóplia de fundos de investimento é larga e contempla todos os perfis de risco, mesmo os mais conservadores. Desde fundos monetários e de tesouraria até aos fundos mais exóticos, as alternativas permitem uma alocação de activos equilibrada e eficiente. Aliás, quem desejar, pode consultar o meu livro Gestão de Activos Financeiros – Back to Basis sobre este e outros assuntos. Muita gente tem me questionado porquê Basis e não Basics? É propositado: ao colocar Back to Basis, apenas desejei chamar a atenção que devemos exigir rendibilidades adequadas ao risco que desejamos assumir, isto é, cuidado com os basis (points) que vos oferecem!

Imagem: Capa do livro de Carlos Bastardo "Gestão de Activos Financeiros - Back to Basis"