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Um aposta no crescimento operacional das empresas


O que gostamos quando investimentos no universo de empresas de pequena e média capitalização de mercado é que estamos a apostar num crescimento dos EPS. Não apostamos nos factores macro, factores geopolíticos, taxas de juro... É puro ‘stock picking’. Estamos completamente focados nas empresas, nos negócios e nos gestores.” Este é para Stéphanie Bobtcheff, gestora de small e mid cap equities na La Financière de L’Echiquier, o grande argumento para o investimento em small e mid caps. E ela e a sua equipa têm-no realizado muito bem na estratégia Echiquier Entrepeneurs, um dos fundos estrela da casa de investimentos francesa que apresenta um retorno de mais de 22% este ano.

Estes resultados tiveram o seu reflexo no apetite dos investidores, que subscreveram o fundo ao ponto da entidade ter decidido colocá-lo em soft close perto dos 400 milhões de euros de ativos sob gestão. É um valor relativamente pequeno, mas reflexo das vicissitudes de uma classe de ativos composta por empresas pequenas e menos líquidas, e de um limite de capacidade imposto pela entidade no sentido de proteger a génese da estratégias e os seus investidores. Falamos de um fundo que tem como universo empresas europeias com entre 50 e 1 000 milhões de euros de capitalização de mercado(capitalização média de 600 milhões de euros), totalizando mais de 2.000 empresas passíveis de investimento.

O nosso fundo está focado em ações com um perfil growth e gostamos especialmente de as comprar em momentos em que o mercado as penalizou. Se conseguirmos investir na nossa seleção de ativos depois de o mercado as penalizar em 15 ou 20% ficamos muito satisfeitos”, refere. Um exemplo concreto que Stéphanie Bobtcheff aponta é a italiana Technogym, uma produtora de equipamento para ginásios. “Não só a empresa apresenta uma posição muito forte num segmento premium, focada em segmentos profissionais como healthclubs e hotéis, como mostra a ambição de crescer num mercado gigante como o dos Estados Unidos e no segmento de softwares de monitorização desportiva e equipamento doméstico. É uma história de crescimento muito atrativa”, comenta.

Processo robusto e sistematizado

BOBTCHEFFST_PHANIEO processo está, segundo Stéphanie Bobtcheff, muito bem definido e sistematizado. Em primeiro lugar, aplicam um filtro quantitativo efectuado mensalmente que origina para a equipa entre 10 e 15 empresas a analisar. Estas resultam de um filtro de liquidez de mercado, performance operacional, crescimento de vendas e EBIT, margens, free cash-flow, entre outros, seguidos das valuations. “É um primeiro passo que não é especialmente ativo”, comenta Stéphanie.

“Depois entramos no segundo passo, que é verdadeiramente o centro do processo de investimento, a análise fundamental. Neste ponto do processo focamos muito na empresa, na sua posição de mercado e estratégia, e ignoramos, por enquanto, o que o mercado diz”, explica. A equipa lê bastantes relatórios e explora o website da empresa, mas essencialmente entra em contacto com a administração. “Reunimos com os CEOs ou CFOs, principalmente. É muito importante no investimento em small caps comunicar com a administração. Só assim percebemos na sua plenitude o posicionamento da empresa e a estratégia de crescimento, e é essencial conseguir ter visibilidade acerca do que a empresa quer atingir no médio e longo prazo”.

Resultado dos dois primeiros passos é uma opinião positiva ou negativa sobre a empresa. Caso seja positiva, chegamos à última fase do processo: A construção do portefólio. “A nossa carteira tem cerca de 40 títulos que são selecionados de uma short list de 100 empresas das quais temos uma opinião fundamental positiva. As ponderações são decididas de acordo com duas métricas, principalmente. Uma é o perfil de risco retorno da ação – o potencial de subida em comparação com o potencial de queda – e a outra é o momentum”, explica a gestora. Na ponderação por momentum consideram diferentes factores, como as revisões das estimativas de EPS por parte dos analistas, valorizações históricas, indicadores técnicos, entre outros. E é neste ponto que a equipa finalmente presta atenção ao que o mercado acha da ação. “Ouvimos as opiniões de analistas otimistas e pessimistas, para percebermos os dois lados da história”.

Valuations

Stéphanie Bobtcheff vê no atual contexto de mercado uma maior dificuldade em encontrar oportunidades e isso é visível em duas características do atual portefólio. Primeiro, os níveis de liquidez do fundo estão bastante elevados, perto dos 15%. “Não é que não queiramos estar totalmente investidos, é apenas o resultado da nossa política de seleção de ações. E hoje em dia temos menos ideias, e daí que tenhamos maior alocação a liquidez”, comenta. Outro reflexo é o facto de a grande maioria das posições em carteira terem uma ponderação semelhante. “Como o momentum continua muito forte e as valuations menos atrativas vemos menos upside em cada ação e vamos aproveitando as subidas para tomar mais-valias.”

Contudo, Stéphanie Bobtcheff está confiante no potencial do fundo: “Investimos em ações cuja valuation é relevante, mas não essencial, porque são histórias de crescimento de longo prazo e com bastante visibilidade”. “Se tivermos que pagar um pouco mais por elas não há problemas, porque merecem esse prémio”, conclui.

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