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Um ano depois: O que mudou na gestão discricionária?


A gestão de patrimónios em Portugal tem mostrado alguma resiliência. Os seis primeiros meses do ano situaram este segmento nos 58,1 mil milhões de euros de montante sob gestão (junho de 2018), o que compara com os 56,1 mil milhões geridos um ano antes, em junho de 2017 (dados da APFIPP).

Porque os números em termos genéricos pouco oferecem sobre as mudanças efetivas no segmento, hoje mostramos-lhe o que mudou (ou não) no universo da gestão discricionária face há um ano atrás.

Top três inalterado, com todas a ganhar terreno

No ranking de maiores gestoras no segmento pouco ou nada mudou. Tal como acontecia há um ano atrás, a Caixagest continua a ser o peso pesado da gestão discricionária, com uma quota de mercado cada vez mais próxima dos 40%, e 22,6 mil milhões de euros de ativos sob gestão, segundo os dados da APFIPP. Os 12 meses decorridos trouxeram à entidade gestora um crescimento percentual de 5,8%, correspondente a mais 1,2 mil milhões de euros. 

Situação semelhante com a BMO GAM, no segundo posto, e com a BPI Gestão de Activos, no terceiro. As duas entidades conseguiram crescer no prazo em análise: a BMO terminou junho de 2018 nos 14,4 mil milhões de ativos geridos, mais 47,7 milhões de euros do que em junho de 2017, e a BPI Gestão de Activos arrecadou mais 216 milhões, o que a fez terminar o primeiro semestre do ano nos 7,1 mil milhões de euros.

Nestes 12 meses em análise de destacar é também a entrada no segmento da Bankinter Gestão de Ativos. A entidade gere atualmente 510 milhões de euros na área de gestão discricionária, segundo os dados da APFIPP, estando portanto a seu cargo um montante anteriormente sob a alçada do Banco Bankinter registado em Portugal como sucursal do banco espanhol.

Top 3 das Gestoras   Ativos sob gestão junho 2018  (milhões de euros)  Ativos sob gestão junho 2017  (milhões de euros) Variação % Variação Absoluta  (milhões de euros)
Caixagest  22 601,3  21 357,1 5,80%  1 244,2
BMO GAM   14 435,8  14 388,1 0,30% 47,7
BPI Gestão de Activos   7 117,3  6 901,2 3,10% 216,1
Fonte: dados mensais da APFIPP

UPs de fundos estrangeiros

No que toca ao peso dado por este segmento às diferentes aplicações, de destacar que a dívida pública continua a ser a componente mais forte das carteiras – perfazendo mais de 40% do total aplicado. Contudo, de salientar também um acréscimo evidente no dinheiro aplicado em UPs de FIM estrangeiros, nomeadamente os de ações e obrigações. Dados da APFIPP mostram que se em junho de 2017 o segmento alocava 2,3 mil milhões de euros a UPs de FIM de ações estrangeiros, um ano depois esse valor cifra-se nos 3 mil milhões de euros. No caso das UPs de FIM de obrigações estrangeiros o crescimento foi dos 1,72 mil milhões de euros em junho do ano passado para os 2,01 mil milhões de euros de junho deste ano.

Espanha ganha relevância

No que toca à avaliação das aplicações por mercado de investimento uma nuance salta à vista quando olhamos para os dados da APFIPP: a gestão discricionária nacional passou a alocar mais dinheiro a valores mobiliários espanhóis (excepto fundos de investimento). Se em junho de 2017 o segundo mercado com mais relevância nas carteiras era o luxemburguês, um ano depois os valores mobiliários espanhóis passaram a valer 3,4 mil milhões nas carteiras, o que compara fortemente com os 1,6 mil milhões de euros de junho do ano passado.

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