“Um ano de expectativas modestas está a começar”


No seu último Outlook para 2014, a BlackRock aponta as suas direções de investimento para o ano que agora entrou em vigor. Russ Koesterich, Responsável pela estratégia de investimentos da gestora, começa por traçar o “ambiente” económico que se irá viver este ano. “Esperamos que o crescimento global e nos EUA recupere de forma modesta. Para a economia norte-americana prevemos um crescimento entre 2.5% e 2.7%, face aos 2% esperados nos últimos anos. Ao nível global esperamos um crescimento de 3.5%, mais do que os estimados 3% em 2013”, refere.

Ao nível das taxas de juro, a gestora espera um crescimento das taxas, mas contido. “Ainda que a Fed tenha começado recentemente o seu tapering, é provável que mantenha as taxas de juro de curto prazo baixas durante 2014”, pode ler-se. Instabilidade nos mercados é algo que a gestora prevê que aconteça durante este ano. “A volatilidade dos mercados pode voltar se, ou quando, as disfunções políticas re-emergirem”, considera o especialista, que aponta mais um ano de baixa inflação na maioria dos países desenvolvidos, existindo mesmo um risco de deflação em alguns desses mercados.

Nestas “direções de investimento” preconizadas pela entidade, e em linha com o mote de um ano de “expectativas modestas”, a BlackRock refere que “continua a defender a sobreponderação em ações, já que continuam mais atrativa do que as obrigações e os depósitos”. “O mercado de ações norte-americano terá ganhos provavelmente mais modestos  do que os de 2013”, indica.

Posição neutral nas ações americanas

Quais são então as orientações mais específicas da gestora para este ano? A entidade está positiva em relação as ações, às mega caps norte-americanas e ainda em relação aos sectores de crédito. Especificamente em relação aos EUA, a gestora mantém uma posição  neutral em relação as ações americanas. “O crescimento lento dos salários, e o mercado laboral a ser “atormentado” por problemas estruturais, representam ventos contrários para a economia e para as ações norte-americanas.  Neste sentido, a BlackRock apenas “seleciona partes do mercado norte-americano”, nomeadamente as médias e grandes empresas do país, e os sectores energético e da tecnologia.

Ações japonesas com desconto significativo

Nos mercados desenvolvidos, a gestora passou a sua posição de underweight para neutral, já que veem melhores oportunidades na Zona Euro e no Japão. “Os últimos dados económicos sugerem que o crescimento na Zona Euro está a crescer devagar, ao mesmo tempo que volta a terreno positivo”, pode ler-se no relatório. O especialista acrescenta mesmo que “as valorizações das ações da zona euro, continuam “deprimidas” em relação às valorizações das ações americanas”.

Também em relação ao Japão, a entidade mostra-se otimista, tendo passado a sua posição de neutral para sobreponderado. “Apesar de um rally impressionante no ano passado, as ações japonesas ainda negoceiam com um desconto significativo em relação às ações americanas”.

Na área das obrigações, a entidade continua com uma subponderação em relação aos títulos de tesouro, particularmente nas exposições de médio e curto prazo. A preferência da BlackRock no fixed income, são então os sectores de crédito, como por exemplo as obrigações high yield. “Acreditamos que os investidores devem manter algum peso nestes sectores”, diz o especialista, acrescentando que “tais obrigações são relativamente mais atraentes neste contexto, já que oferecem yields mais altas e menos sensibilidade aos aumentos das taxas de juro”.  

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