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Tudo o que precisa saber sobre fintech e cinco conselhos para investir


O fintech é indiscutivelmente um dos temas do ano entre os investidores, especialmente porque, ao estar nas primeiras fases de desenvolvimento, existe um grande debate em volta dos seus efeitos sobre a indústria financeira. O gestor da Robeco Patrick Lemmens e o analista Jeroen van Oerle explicam que “a tecnologia financeira, ou fintech, não será tão disruptiva ao ponto de deixar os bancos obsoletos”, mas ao mesmo tempo afirmam que “o sector financeiro mudará significativamente como resultado do fintech e terá um aspeto muito diferente dentro de dez anos”. Aí “veremos umas clara distinção entre ganhadores e perdedores”.

Entre os campos onde a aplicação de serviços digitais na banca já está a provocar transformações, os especialistas contabilizam os seguintes: pagamentos, empréstimos, assessoramento financeiro automatizado (robot advisory), procura de fontes alternativas de financiamento (crowd funding) e investimento através da internet ou aplicações móveis. Para Lemmens e Van Oerle, tudo se resume a uma única tendência: “Os assuntos financeiros serão mais simples, rápidos e baratos para os consumidores”. Portanto, não veem na evolução da tecnologia financeira um avanço agressivo e prejudicial. Melhor, acham que “é mais provável que os bancos, seguradoras e gestores de fundos trabalhem conjuntamente com as empresas de fintech para fazer com que as suas operações sejam mais eficientes e acessíveis para os clientes”.

Jeroen Van Oerle recomenda fazer uma distinção dentro do sector financeiro entre a digitalização e o que ele denomina de “digitação”, que consiste no “registo de dados, que começou com a conversão de informação analógica em arquivos digitais”. Por outro lado, entende que a digitalização se refere “ao uso de tecnologias digitais para empregar esses dados para processos de negócio, relações com os clientes e novos serviços”. A distinção é importante porque, segundo o analista, “bancos, seguradoras e gestoras de fundos estão a liderar a organização e utilização de dados, mas vão com atraso no que se refere à aplicação de tecnologias digitais na sua interação com os clientes”. Este atraso é uma oportunidade para outras empresas, concretamente para “todo o tipo de start-ups, para se introduzirem entre as instituições financeiras tradicionais e os seus clientes”. Este tipo de empresas empreendedoras estão a obter assim uma boa quota de mercado, basicamente ao desenvolver ferramentas de processamento adequado da informação de redes já existentes, às quais os bancos tradicionais dedicaram muitos recursos para a sua criação. “Tudo tem a ver com o controlo da relação com o cliente”, resume o especialista.

Onde está então o nicho de oportunidades para a banca tradicional? Segundo Van Oerle, “bancos, seguradoras e gestoras de fundos terão que tomar a decisão estratégica de passar de investir em novas tecnologias para oferecer novos serviços e para investir na satisfação do cliente”. Outra opção é que “decidam perder a relação com o cliente e converter-se em provedores de uma infraestrutura eficiente para os recém chegados ao sector tecnológico”. Em todo o caso, o que o analista acredita é que as entidades com menos oportunidades serão aquelas que se centram somente em cortar custos.

Uma vez constatado que a base do fintech é a relação com os consumidores, os especialistas da Robeco falam do perfil dos utilizadores atuais dos serviços financeiros: “Os consumidores estão a procurar uma solução para os seus problemas financeiros e não lhes importa quem os proporciona”, indica Van Oerle. Os robot advisors são um bom exemplo de uma resposta a esta necessidade. “Os indivíduos com rendimentos baixos, clientes que os bancos e as gestoras nunca acharam interessantes, converteram-se agora num novo mercado”, explica o analista, graças à “tecnologia que oferece a possibilidade de proporcionar um serviços a estes clientes a um baixo custo e em grandes volumes”.

O outro lado desta oportunidade é, segundo o analista, que “há um perigo real de que se perda a relação com o cliente”. Para poder participar no processo de digitalização com êxito e chegar a mais consumidores, a opinião do especialista é que “as gestoras de fundos e os assessores financeiros terão, em consequência, que investir fortemente em tecnologia e fazer cooperações estratégicas com provedores tecnológicos”.

Existe outro obstáculo neste sentido, tal como assinala o gestor: nem sempre é possível investir em empresas especializadas em tecnologia financeira, porque muitas ainda não cotam ou estão em fase de capital de risco. Assim, uma forma de obter exposição é investir em empresas dedicadas aos pagamentos electrónicos que se estão a adaptar às mudanças tecnológicas, como a Visa, Mastercard, Vantive ou PaySave, ou investir em provedores de software especializado para instituições financeiras, como a Cognizante ou DH Corp.

Como ambos os especialistas opinam que ainda não é clara a distinção entre ganhadores e perdedores, porque “os efeitos disruptivos ainda não são suficientemente visíveis”, Lemmens e Van Oerle referem cinco conselhos para investir nesta revolução tecnológica:

- Diversificar os investimentos através de vários subsectores de serviços financeiros, como pagamentos, empréstimos, robot advisors, crowdfunding e investimento.

- Não pagar por valorizações excessivas: “O princípio GARP (Growth at a Reasonable Price) também se aplica nas fintech”.

- “Investigar empresas privadas, para ver se oferecem uma boa ideia sobre os avanços, de forma a identificar os vencedores futuros”.

- “Não pensar que esta vez será diferente, se vierem pessoas dizer que têm um novo modelo de negocio que é novo, fantástico e inteligente”.

- “Não acreditar que os bancos, seguradoras e gestoras ficarão obsoletos com o fintech”. 

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