Três vias de crescimento da indústria da gestão de ativos na era pós COVID-19


Quando durante o mês de dezembro de 2019 as gestoras de fundos apresentaram as suas perspetivas de mercado para 2020, nenhuma imaginava que o coronavírus de que na altura se falava na China acabasse por se tornar numa pandemia que provocaria milhares de mortes em todo o mundo, sacudiria de forma abrupta os mercados e que deixaria milhões de pessoas confinadas nas suas casas paralisando a economia. Hoje, apenas sete meses mais tarde, o mundo é diferente do que era no fim de 2019 e se por aquela altura a maior preocupação do mercado era o efeito de uma guerra comercial, agora não há lista de riscos que não inclua o coronavírus no primeiro lugar.

As perspetivas económicas são desoladoras. Segundo o FMI, o PIB mundial vai-se contrair este ano 4,9%, 1,9% abaixo do anterior prognóstico. A grande dúvida é saber o quão longa será a recessão e sobretudo, a forma que terá a posterior recuperação económica: V, W, U, raiz quadrada…

À queda da economia é preciso acrescentar o retrocesso dos mercados, que apesar da recuperação experimentada durante o segundo trimestre, enfrentam neste segundo semestre de 2020 com perdas acumuladas no ano e uma grande lista de incertezas no horizonte: eleições nos EUA, evolução da pandemia, riscos políticos.

A indústria da gestão de ativos não é uma exceção neste clima generalizado de incerteza empresarial e, ainda que ao contrário de outras crises, neste não houve tanta fuga dos investidores apesar de terem notado os efeitos da queda dos mercados no seu número de ativos sob gestão. Oliver Wyman e a Morgan Stanley trataram de projetar no seu relatório After the Storm, essa queda vista nos primeiros meses do ano no comportamento dos ativos sob gestão nos próximos cinco anos. “Os ativos sob gestão tiveram um crescimento de 7% anualizado nos mercados desenvolvidos nos cinco anos antes da COVID-19. Esperamos um crescimento lento de 3-4% anualmente nestes mercados a partir de 2019-24”, afirmam. Isso, em média, já que por regiões, onde veem o maior potencial de crescimento continua a ser nos mercados emergentes com a China como grande protagonista e, onde veem menos, é na Europa ocidental e no Japão.

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Não obstante, apesar do corte nas previsões, incidem que a indústria continua a apresentar um grande atrativo ainda que este implique um maior esforço das equipas de gestão em diferentes áreas. E, por isso, apresentam três pontos que podem impulsionar o crescimento.

  1. Adaptar-se à nova realidade. Modelos e casos de uso digital. Uma tarefa que já existia antes do coronavírus, mas que acentuou é o aumento da digitalização. “É preciso desenhar o modelo de entrega de assessoria do futuro, que terá de ser omni-canal”, afirmam. De facto, calculam que em 2024 apenas 20% das relações com os clientes vão implicar um cara a cara, abaixo das interações via apps.

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  1. Defender a economia dos negócios encontrando alavancagem operacional através da otimização de custos. "Estimamos que o setor possa reduzir os rácios médios de receitas/despesas em até 12 pontos percentuais, mediante uma combinação de eficiência direcionada e oportunidades de crescimento de rendimentos diretamente relacionados", afirmam.
  2. Consolidar o posicionamento do mercado e focar-se nas estratégias de crescimento. Neste ponto, analisam, sobretudo, as vias de crescimento, uma mais orgânica, que lida com o investimento em produtos que atendem às necessidades dos investidores; e um mais inorgânico, através de alianças ou operações corporativas.

No primeiro, destacam-se duas áreas de crescimento: investimento com critérios sustentáveis, realizado em mercados privados (estimam que em 2024, os investidores de elevados patrimónios vão investir 24 biliões de dólares neste tipo de ativos, em comparação com nos atuais 16), produtos focados principalmente em seguradoras que protegem capital, algo que está a tornar-se cada vez mais complicado em tempos de taxas de juro a 0% e ativos digitais. Em relação ao crescimento inorgânico, estão certos em que mercados haverá as maiores operações corporativas. "Certos mercados, como EUA, Reino Unido e Suíça, são os mais maduros para consolidação e esperamos ver uma continuação da atividade nos próximos anos", concluem.

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