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Para desfrutar e explorar o conceito de liberdade: três livros e uma playlist


Estava para indicar apenas um, “O Apelo da Tribo” de Mario Vargas Llosa, mas depois acabei por concluir que nas últimas semanas/meses li livros com um denominador comum: liberdade. Por isso junto mais dois: “Pela estrada fora”, de Jack Kerouac, e “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley.

Porque acho injusto deixarem a música de fora, também deixo uma playlist no Spotify que criei no ínicio deste lockdown: The Great Escape.

Como já referi, o denominador comum destas referências é a liberdade (ou a falta dela). Li estes livros e criei esta playlist nos primeiros tempos de lockdown.

Em tempos de mudança, emergência e de grande turbulência social e radicalismos destaco então o livro de Mario Vargas Llosa, “O Apelo da Tribo”. Um livro sobre filósofos e pensadores tão importantes como Adam Smith, Friedrich Hayek ou Isaiah Berlin. Este conjunto de ensaios biográficos ajuda-nos a relembrar a importância da liberdade e da racionalidade ao mesmo tempo que nos alerta para os perigos do nacionalismo, do totalitarismo, da demagogia e das ameaças à democracia.

Por falar em nacionalismos lembrei-me do “Admirável Mundo Novo”. Claro que poderia referir também o “1984” de George Orwell e o “Fahrenheit 451” de Ray Bradbury, e ficava a trilogia completa.

A crise económica foi provocada, podemos dizer, propositadamente, pelos diversos governos a nível mundial por razões sanitárias. A intervenção agressiva e sem precedentes dos estados para responder à pandemia e à crise económica está a ser encarada como necessária e benéfica para o bem estar das pessoas e para uma recuperação económica mais forte e mais rapida.

Assistimos por isso, um pouco por todo o mundo, a uma crescente intervenção dos Estados na economia, nos mercados financeiros (via bancos centrais) e na sociedade em geral. Uma espécie de nacionalização de emergência que abrange empresas e até a liberdade individual.

Seguimos este caminho por necessidade ou por opção?
Estaremos a convergir no sentido de um Capitalismo Estatal?

Há um apelo claro à intervenção, ao sentimento coletivo, à necessidade que alguém controle e assegure tudo o que é necessário. No entanto, não podemos facilitar na defesa da liberdade. Retirar estas intervenções é sempre mais dificil do que introduzi-las.

E há esse receio. O risco de as intervenções serem permanentes em vez de temporárias e o risco de termos uma democracia com cada vez mais restrições à liberdade. Numa sociedade fechada não há incentivos à inovação, à critica, ao pensamento independente, à disrupção. Todos fazemos, acriticamente, o que nos dizem para fazer.


Mas apesar da magnitude da intervenção, no fim do dia resta-nos a realidade atual e esta resume-se a um aumento claro da desigualdade. Transversal. Na educação, na saúde, na cultura, na riqueza, no rendimento.

Como profissionais desta indústria devemos estar cientes do desafio enorme que se segue: uma disrupção económica sem precedentes, a presença no mercado de empresas mantidas artificialmente (zombie markets), aumento da concentração de negócios e uma vida mais difícil para a inovação e competitividade.

O apelo da tribo é inextinguível.

A pergunta que faço é: queremos um Estado grande ou um grande Estado? São ambas legítimas e por coerência e respeito não rejeito nenhuma. Tenho a minha escolha, mas também admito mudar de opinião.

Quanto à playlist…

Costumo relacionar muito a música com mercados financeiros. Aliás, penso até que a volatilidade dos retornos e a transação de ativos financeiros são de certa forma parecidos com a intensidade (volatilidade) e andamento (trading) das canções. O próprio estilo de música que mais se ouve e a forma como vemos e consumimos música pode ajudar-nos a definir melhor o perfil emocional do investidor.

Por isso, fiz uma playlist para o tempo que tivemos confinados. Dei-lhe o nome de The Great Escape para de certa forma me opor, musicalmente falando, ao The Great Lockdown.

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