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Três ideias fortes para investir em ações emergentes este ano


O índice MSCI Emerging Markets conseguiu em 2017 bater em termos de rentabilidade o MSCI World pelo segundo ano consecutivo. Agora, a pergunta óbvia é se as ações emergentes serão capazes de manter-se firmes neste ano recém-chegado. A partir da Franklin Templeton Investments, o guru dos emergentes, Mark Mobius, volta a mostrar o seu otimismo ao afirmar que “estes são momentos emocionantes para ser um investidor nesta classe de ativos”. Juntamente com Carlos Hardenberg – managing director – e Chetan Sehal – diretor de mercados emergentes globais e estratégia de small caps – os especialistas resumem as três ideias fortes que vão guiar a equipa da Franklin Templeton Investments durante este ano.

Muitas oportunidades, sobretudo na Ásia

Ainda que na gestora vejam uma ampla oportunidade em emergentes, consideram que a Ásia é agora a região mais atrativa, “desde a China, Coreia do Sul, Índia e Taiwan até países como a Indonésia”. Também entusiasma os especialistas as oportunidades a nível individual que surjam noutras partes do universo, como por exemplo na Rússia, que é um mercado que recentemente perdeu o favoritismo dos investidores. “Nessas situações, estamos a encontrar empresas que acreditamos que são extremamente bem dirigidas, que estão a crescer a um ritmo rápido, e que proporcionam exposição a temas importantes como o crescimento económico, as alterações demográficas e as tendências de consumo local”, comenta o trio de especialistas. Se a isto se juntar a impopularidade desses mercados, significa para a equipa tem a oportunidade de comprar empresas fortes a preços que considera atrativos.

Os especialistas da Franklin Templeton estão a encontrar assim oportunidades na América do Sul. “O Brasil acaba de imergir de uma prolongada recessão, onde enfrentou desafios severos, incluindo o alto desemprego e enormes escândalos de corrupção, mas em geral estamos positivos em relação às possibilidades dentro deste mercado, dado o novo ênfase nos esforços reformistas”. Os especialistas acrescentam que estão a encontrar “investimentos atrativos” noutros países latino-americanos, principalmente na Argentina.

Dois setores vencedores

Tecnologia e consumo são dois temas importantes nos quais a Franklin Templeton vai continuar a apostar este ano. Os especialistas explicam que, enquanto os setores da energia e materiais passaram de 40% no MSCI Emerging Markets em 2007 para 14% em 2017, os segmentos de tecnologias da informação e consumo coroaram-se como os mais representativos do índice, ao reunir 30% da sua capitalização entre os dois. “As tecnologias emergentes já não dão um mero apoio aos produtos dos mercados desenvolvidos, mediante o fabrico de componentes ou dispositivos com licença; estão a desenvolver produtos tecnológicos de marca própria que são exportados para o resto do mundo, de maneira que estão a ganhar força e quota de mercado”, afirmam Mobius, Hardenberg e Sehal.

O trio de especialistas também aponta alguns exemplos da sua procura por oportunidades no setor tecnológico: “Modelos de negócio baseados no consumo eletrónico, como se verificou na América do Sul; empresas que desenvolvem componentes tecnológicas para automóveis em Taiwan ou Coreia do Sul; ou bancos digitais na Ásia e África”.

No que respeita aos setores vinculados ao consumo, os especialistas acreditam que “a procura de bens e serviços está preparada para se dissipar, à medida que continue a crescer o rendimento disponível dos emergentes”. Um exemplo: só no Vietname, o PIB per capita passou de 500 dólares para 3.000 dólares em oito ou nove anos, o que se traduz num espetacular incremento do poder aquisitivo dos vietnamitas. O tipo de empresas que mais interessam à gestora são as que estão “preparadas para responder a estas necessidades, com marcas locais e bens produzidos localmente”.

Maior crescimento dos lucros

A última ideia forte que compõe a visão da Franklin Templeton para este ano tem a ver com as valorizações: “Observámos que os lucros de muitas empresas emergentes estão a melhorar gradualmente em termos de rentabilidade, margens e return on equity, depois destas variáveis terem estado recentemente sob pressão”. Os especialistas constatam a melhoria na visibilidade de previsões de lucro das empresas do mundo em desenvolvimento, e mostram a sua certeza de que “os lucros ainda têm margem para recuperar”. Ao colocar em perspetiva todos os aspetos, sentenciam que “as valorizações das empresas emergentes ainda são muito atrativas”.

A partir da gestora, têm também uma advertência: em 2018, poderá produzir-se o regresso da volatilidade, “particularmente porque os fluxos de investimento refletem com frequência as atitudes constantemente em mudança sobre a perceção do risco”. Ou seja, com subscrições quando os investidores têm uma atitude risk-on com os emergentes e com reembolsos quando entram em modo risk-off.

“Os mercados menos maduros tendem a estar muito guiados pelo sentimento e, portanto, as cotações desses mercados poderão refletir rapidamente qualquer sinal de ceticismo”, explicam os especialistas. Por outro lado, recordam que as ações emergentes ainda estão sub-representadas nas carteiras de muitos grandes investidores, sobretudo tendo em conta a crescente capitalização da classe de ativo e contribuição dos emergentes ao PIB global. “Isto poderá dar apoio a fluxos de entrada continuados”, concluem Mobius, Hardenberg e Sehal.

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