Três fontes de valor a monitorizar em fixed income


Vivemos num mundo financeiro repleto de dualidades, com equações difíceis de resolver e resultados difíceis de antecipar. O ciclo económico chegará ao fim ou estender-se-á por mais tempo? Como evoluirá a inflação tendo em conta os níveis de crescimento registados?

Marika Dysenchuk, client portfolio manager de unconstrained fixed income strategies da J.P. Morgan AM falou de três das suas ideias de investimento de eleição para os próximos 12 meses, ideias essas incluídas nos portefólios de fixed income unconstrained que tem a seu cargo.

1. “Still riding high”: US high yield

Embora as valuations do high yield norte-americano estejam para a profissional “relativamente apertadas”, são valores totalmente justificados pelos “fundamentais bastante robustos” que esta classe de ativos continua a apresentar.

A suportar este bias em relação à classe de ativos está também o facto das taxas de default se manterem “extremamente baixas” - em valores próximos de 1% - e “bastante longe da média de longo prazo que se situa nos 3,72%”. No entanto, como a taxa de default passada não é um indicador dos defaults futuros, importa olhar para outros indicadores. Neste sentido, a saúde das empresas deste segmento, prosseguiu Marika, também é um factor de avaliação muito importante que monitorizam através da “forma como as empresas estão a usar o dinheiro que lhes está a ser emprestado”. Reporta que “a maioria das novas emissões estão a ser efetuadas para efeitos de refinanciamento”, algo que muito lhe agrada na  “perspetiva de um investidor em obrigações”.

Reitera portanto que se tratam de “empresas bastante fortes”, e que “apesar das valorizações estarem bastante esticadas existe uma grande compensação”. Acreditamos que os spreads podem estreitar-se cerca de 20 pontos base mais, ainda para mais agora por causa do recuo que se verificou nas últimas semanas, absorvendo-se as subidas de taxas que o mercado está à espera. Nos próximos 20 meses, esperamos que se assista a um crescimento moderado/elevado de um dígito neste segmento.

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2. Dívida subordinada dos bancos europeus

O segundo tópico em que a especialista da casa aponta baterias é a dívida subordinada da banca europeia. “Os bancos europeus aumentaram as suas almofadas de capital bem acima daquilo que era exigido pelos reguladores.

Este tipo de obrigações têm tido uma performance bastante boa durante este ano, mas, ainda assim, conseguimos ter spreads de cerca de 400  pontos base, o que, na nossa perspetiva, é ainda atrativo”, começou por referir.  

Mas essa atratividade não pode nem deve ser em toda a linha. A profissional alerta para a seletividade imperativa nesta área, na qual atualmente privilegiam três  vertentes. Em primeiro lugar, olham para “bancos incluídos em regimes mais favoráveis, como é o caso da Suíça e Escandinávia”; em segundo lugar, “bancos mais orientados domesticamente, e que de certa forma estejam escudados em relação aos perigos de pendor global; por fim, prestam atenção a “bancos mais orientados para o retalho, que tendem a ser melhores geradores de cash flow”.

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3. Dívida de mercados emergentes em moeda local

Na terceira área de enfoque citada pela client portfolio manager, a especialista alerta aqui também para a indispensabilidade do factor seleção, apesar do evidente e inegável “bom caminho” que as economias deste espaço têm percorrido “com os PMI a crescerem, e outros fundamentais também robustos”.

O primeiro ponto de suporte é mais do que óbvio: “Estes mercados ainda conseguem oferecer uma yield real positiva comparativamente com os desenvolvidos e, com as expectativas de inflação continuarem a cair nos mercados emergentes, continuam a existir yields atrativas não só numa base nominal mas também real”.

As moedas dentro deste espaço são inegavelmente um ponto de atratividade ainda relevante, pois “estão desvalorizadas” face a outras divisas. “O desempenho das moedas emergentes foi significativo face às moedas dos G4, mas mais em virtude da fraqueza do dólar do que propriamente do comportamento positivo das moedas destes países”, justifica.

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