Três coisas que a indústria de fundos pode fazer para continuar a crescer num contexto hostil


Estamos a pouco tempo do fim do ano, que foi de menos a mais, no que ao mercado se refere. Os investidores começaram a medo, já que temiam que os efeitos da guerra comercial que tanto tinha agitado os mercados no último trimestre de 2018, se prorrogasse durante 2019. E ainda que esse medo se tenha materializado, houve algo que conseguiu dissipar o seu efeito de mercado. O mesmo que moveu as ações e obrigações nos últimos anos: os bancos centrais.

Em apenas 12 meses deixou-se de falar de normalização monetária para se falar de uma nova ronda de estímulos, e isso não só impulsionou a cotação das obrigações e ações fazendo com que 2019 possa fechar como um dos melhores anos para os investidores na última década, mas também possibilitou que se mantivessem positivos os fluxos, com uma especial predileção por produtos de obrigações. A revalorização do mercado em conjunto com a entrada de dinheiro conseguiu compensar a descida de margens que enfrenta a indústria num contexto de taxas baixas, rentabilidades esperadas inferiores às registadas no passado e comissões em descida, mas... que mais pode fazer a indústria europeia para proliferar num contexto que será muito mais hostil que o do passado?

“Não acreditamos que só haja uma ou duas fórmulas vencedoras; não obstante, alcançar um crescimento desproporcionado vai requerer que os gestores de ativos tomem medidas proativas e audazes em resposta às forças que continuam a remodelar o ecossistema da indústria”, afirmam na McKinsey & Company num recente estudo intitulado State of European Asset Management: Adapting to a new normal. Neste estudo recordam que apesar de na última década se ter conseguido que a Europa alcançasse um número recorde de ativos sob gestão e um fluxo constante de novo dinheiro para fundos de investimento, não se alcançou um recorde de lucros (prognostica que até com um bom ano de mercado como o de 2019 os lucros vão manter-se inalterados face aos de 2018).

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Não obstante, da consultora identificam três coisas que podem fazer as gestoras de ativos europeias sair-se bem durante a próxima década num contexto de aumento da concorrência, rentabilidades esperadas baixas e aumento da guerra de comissões.

A primeira delas é a de repensar como continuar a oferecer valor aos clientes institucionais num contexto de low for longer return. Na consultora propõem a inclusão de fontes alternativas de rendimento, acesso a mercados privados... “Trata-se de se tornar num provedor de serviços”, afirma, e já não só no caso dos investidores institucionais como também nos de retalho, para os quais propõem soluções como a oferta de fontes alternativas de yield, para ir ao encontro das necessidades de poupança para a reforma, investimentos com maiores margens de segurança, mesmo que implique sacrifício de yield, e soluções alternativas que proporcionem proteção do capital investido.

Nessa mudança na oferta de produtos incluem também na consultora a grande megatendência do mercado, o investimento com critérios sustentáveis. Os critérios ESG devem vir integrados em todo o processo de investimento, procurando alianças com distribuidores para fomentar no negócio de assessoria a cultura de ISR ou abraçar o investimento de impacto como uma nova via de diversificação das carteiras. E, naturalmente, tudo isso integrado para melhorar a satisfação do investidor e a sua experiência de utilizador.

A segunda via de crescimento passa pela inovação, mas de forma seletiva. Trata-se, dizem na consultora, de repensar os modelos de negócios para conseguir capturar crescimento do que chamam “hot spots” assim como de desbloquear o grande espaço que existe no universo de ativos geridos internamente por alguns institucionais ou outros que não têm sido tão profissionalmente geridos, como o investimento em ativos reais ou privados... Por isso, cada vez se veem mais operações corporativas, sejam aquisições ou alianças, entre gestoras de ativos mais tradicionais e as mais especializadas em mercados privados como o de infraestruturas, o capital de risco ou o real estate.

Quanto à terceira opção que defendem na consultora, versa sobre a necessidade de se tornarem players disruptivos. “Trata-se de ir mais além da gestão de ativos criando uma plataforma ou ecossistema aproveitando o acesso que já se tem aos clientes (por exemplo, uma plataforma de seleção e distribuição de fundos, gestão patrimonial / provedor de crédito, criador de mercado, provedor de tecnologia ou mercado B2B)”, recomendam.

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