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Três anos da gama Optimize Seleção: a parceria que juntou a gestora e a Proteste Investe


Em 2001 a Proteste Investe começou a agregar os seus conselhos de investimento numa carteira de investimentos modelo, que tinha por base uma estratégia para o longo prazo. Uma carteira que poderia ser seguida “por qualquer investidor particular”, como conta agora João Sousa, coordenador da Proteste Investe em entrevista à Funds People, a propósito de uma “efeméride” colaborativa com a Optimize Investment Partners, mais concretamente o nascimento dos fundos Optimize Seleção.

Estes conselhos que efetuávamos ao nível da carteira incluíam mais de uma dezena de fundos de investimento e por isso acabavam por não ser muito fáceis de implementar na prática: os clientes tinham de fazer esse acompanhamento dos conselhos, vender, voltar a comprar, recorrendo a diversas plataformas, etc. Apesar de ser algo possível, acabava por não ser muito eficaz e eficiente”, recorda o profissional, lembrando os primórdios da ideia de lançamento de uma gama de fundos que reunisse todo o racional já referido.

A escolha da Optimize como entidade gestora surgiu com a necessidade de adaptar uma solução anteriormente desenvolvida em parceria com esta entidade. “Começámos por ter uma parceria com a Optimize em termos de gestão privada. Tratava-se de uma carteira de fundos em que o próprio investidor tinha vários fundos por nós recomendados”, lembra, apontando o porquê de terem escolhido o veículo fundo para a parceria seguinte, que culminou com o lançamento da Gama de fundos Optimize Seleção, em 2015. “O fundo foi o veículo escolhido porque se trata de um formato mais simples, mais democrático e mais transparente. Outra vantagem tem a ver com a comunicação das rentabilidades. Na nossa carteira, quando comunicávamos a rentabilidade a rentabilidade para um mesmo período em análise, os valores de cada investidor poderiam divergir um pouco entre si porque consoante as datas de entrada, os pesos relativos de cada um dos fundos detidos por cada investidor também poderiam divergir”, atesta.

Integração numa equipa internacional

O processo de investimento preconizado pela Proteste Investe acaba por beber dos inputs de uma equipa multidisciplinar e internacional. “A Deco Proteste está integrada na Euroconsumers,  e beneficiamos do facto de estarmos integrados numa equipa internacional. Temos uma equipa de cerca de 30 analistas a nível internacional que fazem o trabalho de acompanhamento de mercados”, sintetiza João Sousa. O modelo de alocação de ativos que seguem é o de Markowitz, e utilizam também “inputs internos”.

“Fazemos uma estimativa dos rendimentos esperados a longo prazo e consideramos  a volatilidade dos diferentes mercados e tipos de ativos por  áreas geográficas; é assim que fazemos essa alocação de ativos, e diria que aqui reside a parte principal da nossa estratégia de longo prazo”, diz João Sousa, enunciando o passo seguinte. Segue-se, portanto, a escolha dos fundos possíveis de integrar a carteira, desta feita também através de uma metodologia específica.

Em cada mercado escolhemos o fundo que melhor representa esse investimento. Analisamos todos os fundos comercializados em Portugal, portanto atualmente acompanhamos cerca de 1.600 fundos diariamente. A este nível temos em conta basicamente duas variáveis: o rendimento e a regularidade desse rendimento. Fazemos uma regressão em que temos o alfa que representa o excesso de rendimento e o tracking error que tem a ver com a regularidade e o comportamento desse rendimento em comparação com o benchmark”, aponta. O processo culmina na atribuição de um indicador de performance do fundo, que, segundo o profissional, pode ser refletido numa escala gráfica de um a cinco estrelas ou numa escala numérica em base 100, em que 100 corresponde ao desempenho do benchmark da categoria. “Se o fundo tiver 3 estrelas isso significa que tem um desempenho igual ao respetivo benchmark dessa categoria em causa. A nossa comparação é feita contra o benchmark de cada uma dessas categorias. E não fazemos a comparação relativa apenas entre os fundos de uma dada categoria e o seu benchmark, mas escolhemos as categorias de ativos mais atrativas que resultam do nosso modelo de alocação de ativos. Em cada uma delas não somos, portanto, obrigados a recomendar um fundo”, elucida. De fora deste modelo também não fica o custo. “No modelo de alocação de ativos incluímos para cada um dos mercados o custo médio de cada categoria”, explica.

Optimize: seleção e rebalanceamento

À Optimize Investment Partners é confiada a tarefa de “receber a alocação dedicada pelos analistas da Deco Proteste”, e analisar os fundos escolhidos pela equipa. Carlos Pinto, senior associate in investments, e em representação da Optimize, explica que na casa gestora têm como função “analisar qual o fundo mais apto dentro de determinada categoria”, mas as suas funções não se esgotam aí. “Temos também a preocupação de procurar as classes mais baratas de acordo com o volume investido. O processo que se segue é olhar todos os dias para a posição da carteira e ir rebalanceando as carteiras de acordo com os inflows e outflows. Para fazer face a eventuais resgates temos sempre 2,5% de liquidez nos fundos, ou seja, estamos investidos a 97,5% nos pesos recomendados pela Deco Proteste. Temos também sempre uma margem de aproximadamente 30 pontos base do peso recomendando, e a partir desse número vamos fazendo um rebalanceamento”, clarifica.

Comemorando agora três anos de histórico, os fundos Optimize Seleção  (Optimize Selecção Agressiva, Optimize Selecção Base, Optimize Selecção Defensiva) são, na opinião de ambas as entidades, produtos que têm correspondido às expectativas. “Nos dois primeiros anos o processo de inflows foi bastante positivo. Recordo-me de ver os fundos Seleção, nomeadamente o Base, a constar da lista de fundos mais subscritos em Portugal”, explica Carlos Pinto. Os fundos, que apresentam duas classes, uma destinada aos clientes em geral e outra dirigida aos associados da Deco, apresentam nesta última uma maior concentração dos seus ativos sob gestão.

De salientar ainda que a carteira base (criada pela Proteste Investe), com 10 anos de histórico, e com um perfil neutral, apresenta nos últimos 10 anos (com referência ao fecho de setembro) uma rentabilidade anualizada de 7,1%, e nos últimos cinco anos o mesmo valor anualizado (7,1%).

 

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