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“Transposição da UCITS IV será aspeto decisivo na dinamização do mercado doméstico de fundos”


A diretora-adjunta, na Direção de Soluções de Investimento da Caixagest, considera que, apesar da conjuntura macroeconómica adversa há razões para optimismo na continuação da recuperação da indústria e que, as menores taxas nos depósitos e a evolução favorável nos mercados de obrigações, levarão os investidores a procurar alternativas que ofereçam melhore retornos.

Quais as perspectivas para a indústria em 2013?

2013 deverá continuar a tendência de lenta recuperação da indústria de gestão de fundos iniciada no ano passado. A indústria de fundos de investimento nacional sofreu, ao longo dos últimos anos, uma redução acentuada no valor dos ativos geridos, essencialmente motivada pela preocupação crescente de captação de depósitos por parte dos bancos, o que se traduziu na oferta de taxas de remuneração historicamente elevadas e na consequente preferência dos investidores por esta solução de investimento. Ao longo do ano, contudo, assistimos a uma normalização desta situação, com o nível de taxas praticadas a registar uma redução. Analisando os valores conhecidos dos ativos geridos pelos fundos de investimento nacionais em 2012, observamos um crescimento de cerca de 13.5%, verificando-se também um saldo acumulado de subscrições líquidas de cerca de 659 milhões de euros. Ainda que longe dos valores máximos observados, estes dados são reveladores de uma recuperação que, sendo motivada pela necessidade dos investidores diversificarem as suas aplicações para além de depósitos a prazo, se deverá manter em 2013. Esta recuperação não será rápida na medida em que a conjuntura macroeconómica adversa, marcada por uma queda no rendimento disponível das famílias e das empresas, se reflete num menor volume de ativos canalizados para poupança e investimento. Mas existem razões para um otimismo na consolidação dessa recuperação.

Quais os focos da gestora para este ano, nomeadamente políticas de investimentos, e objectivos, em termos de expansão e evolução do valor dos ativos sob gestão?

A recuperação até agora registada nos fundos de investimento esteve essencialmente assente na captação de montantes sob gestão nas classes de ativos tradicionalmente mais defensivas. De facto, foram as aplicações realizadas nas categorias de fundos de mercado monetário, de tesouraria e de obrigações, aquelas que registaram um maior aumento percentual em 2012. Durante esse período, a estratégia da Caixagest foi a de colocar à disposição dos seus clientes os melhores produtos nestes segmentos. Em particular, dentro da nossa oferta, os fundos que mais cresceram (FEI Caixa Monetário e Fundo Caixagest Liquidez), continuam a registar forte preferência por parte dos nossos clientes que os percecionam como soluções de aplicação de curto prazo, com remunerações bastante competitivas, e com flexibilidade acrescida de liquidez diária. No entanto, ainda que o padrão atual de recuperação esteja focado em segmentos defensivos, a normalização ocorrida nas taxas de depósitos bancários, assim como a evolução favorável registada nos mercados de obrigações durante o ano passado, levarão um interesse crescente por parte dos investidores em soluções com um binómio de rendibilidade/risco superior. Neste contexto assumem particular relevância as soluções de investimento diversificadas por várias classes de ativos, que proporcionarem alguma proteção da carteira, no caso de possíveis eventos extremos de curto prazo mas, ao mesmo tempo, permitem também projetar e não comprometer as rendibilidades de longo prazo consonantes com as necessidades e objetivos do investidor ao longo do ciclo de vida. A construção de uma carteira diversificada por classes de ativos, adaptada às necessidades do cliente, com uma gestão dinâmica dessa alocação e com um controlo de risco permanente, constitui-se na nossa ótica como a melhor oportunidade de investimento para os clientes e é tradicionalmente a proposta de valor dos fundos de investimento mistos.

Indique uma ou duas ideias que contribuiriam para dinamizar o mercado de fundos em Portugal...

Em nosso entender, a concretização da transposição da diretiva nº2010/73/EU (UCITS IV) para o enquadramento regulatório português será um aspeto decisivo na dinamização do mercado doméstico de fundos de investimento por várias razões. Em primeiro lugar, porque ao continuar o objetivo de harmonização das regras de atuação em todo o espaço europeu permite que, na definição das suas estratégias, as sociedades gestoras levem em consideração um espectro de atuação mais abrangente e não local. Em segundo lugar, porque agiliza também determinado tipo de colaboração e parcerias entre várias sociedades gestoras no sentido de disponibilizar aos clientes as melhores soluções de investimento. Finalmente, porque ao nível de procedimentos, contribui também para a simplificação e reestruturação da gama de fundos oferecidos pelas várias entidades. 

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