The Matrix e o poder da diversificação


Em 1999, os irmãos Wachowski realizaram um filme que contava a história de um mundo em que os humanos viviam numa ilusão criada por máquinas que se alimentavam da sua energia vital. Numa realidade oposta, alguns anos antes do primeiro filme da trilogia, a equipa de small caps da Aberdeen Standard Investments usufruía das qualidades da colaboração entre Homem e Máquina através da sua própria Matrix. Andrew Paisley, diretor de investimentos da equipa, contou à Funds People os pormenores dessa relação e como esta proporcionou ao European Smaller Companies Fund qualidades que o destacam ao nível do retorno, risco e poder de diversificação.

“Somos uma das equipas mais experientes no mercado. Estamos sob a alçada de Harry Nimmo, responsável pela equipa, com mais de 30 anos de experiência a selecionar ações de pequena capitalização de mercado. O nosso track record fala por nós. Há 20 anos lançámos a versão britânica do fundo e foi o seu sucesso que nos levou a lançar, há 11 anos, a versão europeia com o mesmo processo e filosofia”, comenta. Há seis anos a entidade escocesa capitalizou no know-how relativo a empresas de pequena capitalização com o lançamento de uma estratégia global de domicilio britânico, estratégia essa disponibilizada recentemente dentro da sua SICAV, no sentido de proporcionar um melhor acesso por parte dos investidores europeus.  “Mas como conseguimos cobrir um universo de mais de 1.000 empresas na Europa com uma equipa relativamente pequena? É aí que entra a nossa ferramenta quantitativa com mais de duas décadas, a Matrix”, esclarece Andrew Paisley.

Proporcionando a primeira frente de ataque para enfrentar um vasto universo de ações, a ferramenta quantitativa ao serviço da equipa alimenta-se de 13 factores, repartidos em quatro grupos: qualidade, crescimento, momentum e valor. “Consideramos que estes factores são especialmente importantes no segmento de pequenas capitalizações. Temos desenvolvido estudos internamente a provar esta ideia, mas também vários estudos académicos o fazem, com dados tão antigos como os datados de 1955”, explica. A Matrix da casa de investimentos britânica baseia-se em factores que têm provado ser  preditivos da performance de pequenas empresas cotadas europeias. Permite assim distribuir o universo de investimento em quintis, baseados no score que a ferramenta proporciona, e reduzir esse universo de 1.000 para 200 empresas.

Da Máquina para o Homem

Depois da Matrix fazer o seu trabalho é a vez da equipa dar o seu cunho. “Olhamos com detalhe para o conjunto de 200 empresas no sentido de identificar pormenores que não tenham sido capturados nas estatísticas e pelos analistas. O que queremos identificar são empresas com um potencial de crescimento de resultados que não tenha sido totalmente capturado pelo mercado ou percebido pelos analistas. É mais fácil uma empresa com um negócio de sucesso crescer de 500 milhões de euros em vendas para mil milhões do que uma grande empresa crescer de 20 mil milhões de euros para 50”, comenta. Finalmente, o processo passa por visitas às empresas e reuniões com a administração. “Um passo indispensável para validar a nossa tese de investimento”, explica.

Um exemplo destacado por Andrew Paisley foca num tema de consumo muito na moda em toda a Europa, incluindo em Portugal: a moda dos gins. E o reflexo desse tema em carteira acontece na figura da Fever-Tree, uma empresa britânica especializada na produção de água tónica premium e com projetos de expansão a outros mixers, como colas, ginger-ale e outros. “A tese de investimento é muito simples. Se uma pequena parte das bebidas é gin, e uma grande parte é tónica, se o consumidor está disposto a pagar mais pela qualidade do gin, também quererá pagar mais pela qualidade da água tónica”, esclarece o diretor de investimentos. E o que tem a Matrix a dizer do título? “É muito interessante verificar que o score global da Fever-Tree encaixa no quintil superior do universo, muito embora o score em valuation seja o mais negativo que o sistema atribui. O que acontece é que o momentum, tanto ao nível dos resultados com o do próprio preço, tem sido muito positivo e a ação tem proporcionado um retorno espetacular”, comenta. Isto reforça a convicção da equipa de que a valuation só por si não diz muito acerca do potencial de um ativo. “Muito mais importante é o momentum dos resultados!”

Carteira de convicção

Resultado do processo é uma carteira de convicção concentrada entre 40 e 50 ativos que apresenta um perfil distinto do benchmark em virtude de uma active share de 95%. Return on Equity, crescimento de EPS e price/earnings superam os do índice de referência e refletem o perfil de qualidade e crescimento dos títulos que resultam do processo. “O que queremos é encontrar boas empresas que que nos deixam contentes por as termos em carteira por muito tempo”.

“As alocações geográfica e sectorial são um resultado do nosso processo e não um input. É um produto que procura encontrar as melhores ideias na Europa. Puramente bottom-up. Contudo, há alguns temas que resultam do processo. Em termos de alocação geográfica temos, por exemplo, uma sobreponderação à Alemanha. Não estamos particularmente positivos relativamente ao país, mas existem muito bons negócios que satisfazem os nossos critérios nesse país”, explica. “Do mesmo modo, em termos sectoriais, subponderamos empresas financeiras, pela simples razão de que é muito difícil encontrar empresas de qualidade no sector, na Europa”, acrescenta Andrew Paisley.

Performance e diversificação

Um forte histórico de performances é sem sombra de dúvida a expressão adequada para descrever os resultados da gestão. “Não só a performance do benchmark tem sido bastante saudável ao longo do tempo como temos conseguido proporcionar um alpha significativo em qualquer período nos últimos dez anos”, destaca o profissional. E, de facto, o excedente de retorno atinge os 6,09%, 5,37% ou 4,04% anualizados, nos períodos a dez e cinco anos e no primeiro trimestre de 2018, respetivamente.

Mas mais além, “há que desmistificar a ideia de que as ações de pequena capitalização de mercado proporcionam retorno apenas às custas de um maior risco às carteiras. Isso seria verdade se considerássemos o benchmark como um todo, mas o nosso processo seleciona os melhores títulos de um universo de 1.000 e o potencial de diversificação é evidente numa grande parte da fronteira eficiente resultado da combinação entre o fundo e o índice de ações de grande capitalização”, conclui Andrew Paisley.

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