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The Köln Concert


“ (…) the really impressive thing about The Köln Koncert is the feeling of an hour-long improvisation as being something meticulously planned because everything fits so perfectly into a whole.” – Sputnik Music

Colonia (Alemanha), 25 de Janeiro de 1975.

Desta data em diante, e da respectiva gravação da actuação, os concertos a solo de Keith Jarrett  passaram a ser uma espécie de romaria, frequentados por milhares de convictos na capacidade meditativa, espiritual e transformativa da música do pianista, então com 29 anos. As vendas do Koln Concert bateram já todos os recordes entre eles o do álbum de jazz a solo mais vendido de sempre - aliás o álbum de piano a solo mais vendido de sempre em qualquer estilo. Ainda que a música de Jarrett não seja consensualmente aceite pelos mais puristas da industria de Jazz (talvez exactamente por transcender estilos, géneros e rótulos?), o registo do concerto concebido em improviso naquela tarde por um Keith Jarrett em claro deficit de sono, para a recém criada ECM, marca para sempre a história da música contemporânea, e a do Jazz em particular.

Ouvir o Koln Concert exige espaço, tempo e silêncio - provavelmente os mais raros e valiosos luxos do apressado século em que vivemos. No entanto, se reunidas essas condições, a audição do disco é uma experiência emocional completa. Há naquela hora de improviso um pouco de tudo: brandura, ternura, crescendo, alegria, ritmo, ansiedade, urgência, repetição, nostalgia, e até uma certa melancolia. Mas o que mais marca é talvez a sensação de fuga, quase mesmo de abismo, que nos faz oscilar entre a ansiedade do desconhecido e a libertação do espaço sem fim. Por acabar tão bem leva-nos a querer repetir a experiência sem nunca com isso a vulgarizar. Libertação à qual não será certamente estranho o próprio exercício do músico naqueles extraordinários 66 minutos de um improviso que sabe apenas onde começa, e que, depois de arrancar, não tem volta.

PS - Se o reboliço dos dias não permitir mais, desligue-se e entregue-se aos “apenas” 26 minutos da Part I do Concerto para a contemplar como monumento que é.