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Teste aos fundos alternativos líquidos: serviram para descorrelacionar carteiras?


O primeiro trimestre deste ano de 2020 será lembrado por muitos investidores como o pior da história recente em termos de comportamento do mercado. Os números vermelhos instalaram-se em praticamente todas as carteiras, tivessem estas um viés arriscado ou conservador. E a fotografia não foi muito diferente quando se olha para o comportamento dos hedge funds, já que com algumas exceções, estes também fecharam o primeiro trimestre com perdas significativas.

O mesmo aconteceu com fundos alternativos líquidos? Esta é a pergunta que fizeram na Morningstar, à qual tentaram responder na forma de análise no seu relatório Pandemic Liquid Alternatives’ Test, no qual analisam o comportamento das estratégias aplicadas pelos fundos alternativos europeus que oferecem liquidez diariamente. "De um modo geral, a maioria dos fundos alternativos líquidos europeus registou retornos negativos no primeiro trimestre, mas perdeu menos do que a maioria dos fundos de ações e de multiativos", apontam no relatório.

No mesmo incidem na grande diversidade que se inclui no grupo dos investimentos alternativos e, portanto, a alta dispersão que ocorreu nas diferentes estratégias. “Alguns tipos de estratégias mantiveram-se bem ou até beneficiaram do aumento da volatilidade. Vários fundos de futuros foram capazes de capitalizar no choque, enquanto muitos fundos neutrais relativamente ao mercado registaram apenas ligeiras quedas durante o trimestre", afirmam. Por exemplo, conforme explicam, as categorias de futuros sistemáticos, global macro e volatilidade tiveram a maior proporção de fundos que encerraram o trimestre em território positivo (32%, 25% e 24%, respetivamente), enquanto os fundos de crédito de longo e curto prazo, multi-estratégias e event driven, por outro lado, tiveram a menor proporção de estratégias de retorno positivo com 11%, 7% e 0%, respetivamente.

Isto em termos gerais já que no relatório também é referida a alta dispersão que existiu entre fundos da mesma categoria, o que demonstra o quão importante pode ser um gestor ou gestora no momento de conseguir essa descorrelação de mercado que exigem os investimentos neste tipo de estratégias em particular. “Os fundos market neutral e as denominadas estratégias carry que beneficiam do facto de possuírem ativos de maior rendimento ou da arbitragem da diferença de preço de um valor entre dois pontos no tempo, como o crédito de longo e curto prazo ou o “event driven”, tiveram faixas interquartis bastante ajustadas. As diferenças mais pronunciadas nos processos e no posicionamento dos fundos fizeram com que as dispersões de rendimento fossem muito maiores entre as estratégias globais macro ou a longo prazo”, afirmam.

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Com estes dados em mãos, na plataforma enfatizam que o objetivo a ser perseguido pelos participantes deste tipo de fundos alternativos, que tanto destaque ganharam nos últimos anos devido às expectativas de rentabilidade cada vez menores nas estratégias tradicionais, não deve ser obter rentabilidade quando tudo cai, mas ser uma fonte de diversificação de portefólio. “Vale relembrar que estratégias alternativas são projetadas para fornecer acesso a diferentes formas de prémios de risco de mercado ou fornecer uma gestão ativa desses riscos à medida que desenvolvem uma maior volatilidade e maiores correlações de mercado. Por outras palavras, os investidores não devem esperar que estas ofereçam proteção total contra perdas, mas que proporcionem fontes diferenciadas de rentabilidade a longo prazo", afirmam.

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