Terão sido ultrapassadas as preocupações sobre dívida emergente?

paraguas
SVTHERLAND, Flickr, Creative Commons

Em meados de Maio, a dívida emergente sofreu uma importante correcção do mercado, devido à incerteza da Reserva Federal e das condições técnicas. Terão as preocupações relativas a dívida emergente sido ultrapassadas? No ING Investment Management consideram que sim, sendo que a sua visão de longo prazo, relativamente a esta classe de activos, continua a ser positiva. "Enquanto a recuperação cíclica a nível global continuar e a política nos mercados emergentes for pró-crescimento, os fundamentais da dívida emergente sairão beneficiados", asseguram.

Os receios de uma imediata redução do ‘quantitative easing’ (QE3) pelo Fed emergiram logo após as declarações de Ben Bernanke. Tornou-se evidente que o efeito aditivo do QE3 é de tal maneira forte que a simples menção de uma possível redução colocou os mercados sobre pressão.

De facto, na gestora consideram que os mercados interpretaram mal as declarações do presidente da Fed, uma vez que a subida das taxas de juro em 2014 e uma política mais restritiva não faziam parte da mensagem que se pretendia transmitir. Muito pelo contrário. A flexibilização quantitativa e um acompanhamento mais restrito deveriam ser vistos como instrumentos políticos separados, sendo este último a mais clara expressão da estratégia seguida pela Fed. “A entidade monetária norte-americana não espera uma subida das taxas de juro antes de 2015”.

Posições em dívida emergente

A forte correcção verificada na classe de dívida emergente por toda uma pressão vendedora é ilustrativa do posicionamento dos mercados. As elevadas posições existentes nesta classe de activos, que registou, nos últimos meses, entradas ininterruptas de capitais, tornaram ainda mais tensas as avaliações, especialmente, da dívida emergente denominada em moeda local.

Rever perspectivas e posicionamento

Com uma visão de longo prazo, no ING IM acreditam que o modelo tradicional de crescimento dos emergentes, impulsionado pelas exportações, parece estar em causa. "No entanto, verificam-se pontos fortes como um crescimento do PIB superior e fundamentais mais sólidos do que nos mercados desenvolvidos. Neste sentido, é indicada a revisão do posicionamento e perspectivas relativamente a esta classe de activos para o resto de 2013.