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Tendências da indústria de gestão americana que chegaram à Europa


O que se passa na indústria de gestão de ativos americana é um presságio do que vai acabar por acontecer na Europa. Aproveitando a experiência de Javier Villegas, diretor geral da Franklin Templeton na Península Ibérica, há quase três anos a cargo dos clientes globais para as Américas a partir de Miami, perguntámos-lhe quais as grandes tendências que desembarcaram no Velho Continente.

1. A assessoria profissional

Villegas nota uma tendência clara em direção ao negócio “fee-based”, onde o cliente paga uma comissão pela assessoria e isso permite-lhe aceder às classes limpas. “Está a chegar já ao mercado ibérico”, assegura, porque é algo que já se estendeu a outros setores. Tal como a um bom médico se paga pela consulta e não pelo resultado, Villegas estima que também se torne numa prática interiorizada fazê-lo por uma boa assessoria.

2. A evolução dos produtos financeiros

Nos últimos anos a gestão passiva deu bons resultados e a um baixo custo, mas a maré está a começar a mudar. Um bom exemplo é o último trimestre do ano passado: a volatilidade está a voltar, e o diferencial de comportamento entre as empresas boas e más está a ser ampliado. “É aí que a gestão ativa começa a mostrar o seu valor”, defende o especialista. Na sua opinião, na indústria haverá espaço tanto para a gestão passiva como ativa. Também para veículos como os ETF Smart Beta, onde se combinam ambos.

3. Os alternativos face à volatilidade

Os fundos alternativos preparam-se para brilhar. “Dados os baixos níveis de rentabilidade das obrigações e a volatilidade das ações, o investidor está à procura de um tipo de produto com baixa correlação em relação aos ativos tradicionais e que mantenha bons resultados em termos de rentabilidade e risco”, explica. No mundo dos alternativos, os alternativos líquidos são o nicho que mais está a crescer tanto de um lado como do outro do Atlântico. Dentro dele, a Franklin Templeton conta com a especialidade de K2.

Da Europa aos EUA: o investimento socialmente responsável

Não é só a Europa que está a aprender com o mercado americano. O mercado europeu é pioneiro numa tendência imparável que se estende a nível global: o investimento socialmente responsável. “As empresas que investem com consciência dos fatores do meio ambiente, sociais e de bom governo (ESG) a longo prazo são mais rentáveis”, sentenceia Villegas. E isso está a fazer com que as empresas reforcem ainda mais o seu investimento com foco no ESG. “Há setores como o da indústria ou energia onde faz bastante sentido investir em ISR, pelo seu impacto direto no meio ambiente, mas estamos a ver como o financeiro ou o tecnológico também se estão a reforçar nestas capacidades”, conta.

A própria Franklin Templeton esforçou-se para aprofundar as suas capacidades dentro deste nicho. “Para nós é uma prioridade integrar critérios de investimento sustentáveis e responsáveis em todos os processos de investimento”, assegura Villegas. Assim, cada equipa de investimento conta com o seu próprio analista ESG.

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