Tags: Negócio |

Tec·no·lo·gi·a


Tec·no·lo·gi·a; substantivo feminino: Ciência cujo objeto é a aplicação do conhecimento técnico e científico para fins industriais e comerciais. A tecnologia é um conceito intemporal. Na revolução industrial foi a máquina a vapor a tecnologia que revolucionou a economia. Já o telégrafo e as redes ferroviárias impulsionaram aquela que foi chamada de revolução tecnológica, no final do século XIX e início do século XX. Nos dias de hoje, embora possa ser resultado da contemporaneidade, a verdade é a que a revolução digital, que se estende dos anos 70 até ao presente é aquela que nos parece resultar num ritmo de inovação e disrupção mais intenso e que é difícil de acompanhar. Aquela que é a tecnologia de ontem, dificilmente será a tecnologia de amanhã e, nos investimentos, a informação e a gestão profissional são o caminho a seguir para escapar às armadilhas disfarçadas de oportunidades que o mercado poderá encerrar. Posto isto, foi exatamente para discutir este tema que a DNB Asset Management promoveu em Lisboa um encontro entre gestores e responsáveis de equity e pelo sector tecnológico. À mesa do pequeno-almoço: Mikko Ripatti, senior client portfolio manager na entidade gestora nórdica, António Dias, da IM Gestão de Ativos, Fátima Só, da GNB Gestão de Ativos e Rui Araújo, da BPI Gestão de Activos.

Entre os diversos temas focados: os setores onde existem mais oportunidades e porquê. Sobre o tema, António Dias foi perentório: “Quando olhamos para o sector da tecnologia numa perspetiva de valuation, sem sombra de dúvida, é o sector dos semicondutores que surge como o mais atrativo”. Apesar da sua ciclicidade, o gestor acredita que os múltiplos a que negoceia no mercado justificam o investimento. “Quando olhamos para a Micron Technology ou a Broadcom, vemos múltiplos muito interessantes. A Intel, por exemplo, negoceia a 13X o Price-to-Earnings estimado e isso está longe de ser escandaloso. A nível fundamental, é um dos sectores tecnológicos em que posso investir e descansar à noite porque sei que encerra valor. Noutros sectores orientados para o crescimento puro e duro o preço está bem mais esticado”, explica.

Fátima SóFátima Só mostra-se de acordo comentando que considera que as empresas de semicondutores estão numa fase muito interessante apesar da ciclicidade. “É verdade que são uma componente bastante sensível ao ciclo económico do sector e a fase que atravessamos de abrandamento económico poderá ter o seu impacto, mas há áreas em que dificilmente veremos um desinvestimento por parte de quem se segue na cadeia de produção e isso confere alguma segurança. Por outro lado, outros segmentos, como o software, estão a cotar a múltiplos muito elevados e nesta fase do ciclo torna-se muito difícil manter alguns nomes em carteira”, comenta a gestora.

Já Rui Araújo mostra uma inclinação oposta. “Não gosto de estar tão exposto a esse lado cíclico das empresas. António DiasAlgumas tecnologias de hardware facilmente se tornam obsoletas e, por isso, prefiro canalizar o investimento para o software e serviços, quando falamos de indústrias dentro do sector tecnológico. Vejo mais valor nos modelos de negócio que apresentam estas empresas, frequentemente com base em modelos de subscrição que resultam em receitas recorrentes e menos expostas à ciclicidade, para além de serem ecossistemas que fazem com que os clientes tenham custos elevados em mudar de provedor”, explica o especialista da BPI Gestão de Activos.

Curiosamente, nas carteiras do sector tecnológico da DNB AM e especificamente no DNB Fund Technology tem-se refletido um investment case que, aparentemente, não tem estado muito associado à tecnologia. Como indica Mikko Ripatti, “não são propriamente as empresas que mais se pensa quando se fala em avanços tecnológicos”. Fala das operadoras de telecomunicações. “É um sector que tem mostrado uma underperformance ao longo de um período muito longo e onde agora vemos alguma atratividade, especialmente na Europa”. Porquê? O profissional da DNB aponta o número de operadoras como uma das razões. “Na China temos duas operadoras. Nos EUA quatro, a caminho de três, como resultado da fusão entre a Sprint e a T-Mobile. Na Europa, continuamos a ter quatro ou cinco operadoras por país, em mais de 40 países. Num contexto de implementação da tecnologia e infraestrutura 5G isso não é sustentável. Desta forma, com um downside limitado, em resultado da má performance, qualquer indicação de que as autoridades europeias irão desbloquear fusões e aquisições ou uma política de partilha de rede 5G representa um potencial significativo para o sector. Isso vai certamente acontecer à medida que a Europa se vê a ficar para trás na implementação a tecnologia 5G”, explica Mikko Ripatti.

Fátima Só compara o tema apresentado pelo representante da DNB AM a outro que considera interessante. “Um segmento que também se inclui na tecnologia é o segmento dos serviços de pagamentos. Também é uma indústria fragmentada, com empresas originadas muitas vezes por iniciativa do sistema bancário de cada país. Vejo aqui muitas empresas interessantes que têm estado a crescer e onde podemos encontrar muitas oportunidades de consolidação”.

O que nos reserva o futuro?

Uma coisa em que todos os gestores à mesa concordam é que é muito difícil fazer qualquer exercício de futurologia, especialmente com o sector tecnológico. “Coelhos sairão certamente da cartola no sector tecnológico. Onde, e de que forma irão sair, não sabemos, mas uma coisa é certa, as empresas com os melhores alicerces financeiros vão lá estar de certeza, seja como impulsionadores, financiadores ou adquirindo as empresas líderes na inovação”, comenta. Desta forma, o gestor regressa sempre àquela que é a base do seu processo: as métricas financeiras. “A empresa com maior peso nas nossas carteiras é a Microsoft. Olho para aquele balanço e consigo dormir à noite. Vejo a capacidade de gerar cash-flow e fico completamente descansado. E a capacidade que a empresa mostrou de orientar o seu enfoque do desktop para a cloud, com uma panóplia vasta de serviços tem suportado um crescimento sustentável”, descreve o gestor da IMGA.

Rui AraújoRui Araújo concorda que o negócio da cloud será aquele que se encontra num estado mais avançado entre as empresas em que investem. No entanto, levanta outros temas que poderão mudar o panorama do sector tecnológico no futuro. “O Blockchain, por exemplo poderá impactar empresas como a Mastercard ou a Visa. Não sei até que ponto o mercado de transações poderá sofrer ou ganhar com isso, mas algum impacto irá ter. Também a inteligência artificial, muito embora não sintamos ainda o impacto, poderá ser um tema disruptivo. A Google tem desenvolvido projetos de IA no sentido de melhorar a sua eficiência energética. Isso implica menores gastos com eletricidade, por exemplo. Pode não ser claro ou ainda ser marginal, mas está certamente a impactar o negócio”, aponta o gestor da BPI GA.

Mikko RapattiJá Mikko Ripatti regressa ao tema das redes 5G como aquele que poderá impactar mais significativamente o mercado. “A tecnologia 5G vai trazer consigo muitos novos serviços. Quais serão e quais se traduziram em receitas, só o futuro o dirá. Com a terceira geração de redes dizia-se que as videochamadas seriam possíveis. Apenas com a tecnologia 4G isso efetivamente aconteceu, com a devida qualidade. O 5G poderá impulsionar os veículos autónomos ou soluções industriais avançadas, por exemplo. Teremos que esperar para ver!”, conclui.

Profissionais
Empresas

Notícias relacionadas

O Mais Lido