Tags: Obrigações |

Taxas descem significativamente em emissões de OTs a cinco e dez anos


Capitalizando num novo recuo das yields de obrigações do tesouro português foram colocadas no mercado duas emissões de dívida – a cinco e dez anos – com taxas menores do que as das emissões comparáveis mais recentes.

“Os resultados foram ligeiramente melhores do que esperávamos, com a taxa de juro da dívida a 10 anos a fazer o valor mais baixo desde final de 2016, mas na emissão a 5 anos a descida foi mesmo muito acentuada”, destaca Filipe Silva, diretor de gestão de ativos no Banco Carregosa. De facto, segundo Marisa Cabrita, gestora de ativos na Orey, "na maturidade para 2022, a procura foi bastante robusta, com um rácio bid-to-cover acima dos 2 e uma yield exigida inferior à registada em Abril". Foram colocados a cinco anos 618 milhões de euros com uma taxa de 1,828% que compara com os 2,174% do leilão equivalente de 12 de abril.

Por outro lado, a dez anos, a taxa cifrou-se em 3,38% para um montante de 632 milhões de euros e uma procura de 1,92 vezes a oferta. Esta emissão compara com a operação sindicada de janeiro em que a taxa atingiu os 4,125%, e com a mais recente emissão a nove anos, em março passado, colocada a uma taxa de 3,95%.

Marisa Cabrita destaca que "Portugal acaba assim por beneficiar da correcção observada nas yields fruto de uma estabilização da percepção sobre do risco político e económico na Zona Euro”, opinião corroborada por Filipe Silva: "Após o resultado das eleições francesas, há uma sensação maior de segurança quanto à solidez da União Europeia. E creio que foi essa redução do risco político, que antes penalizava mais os países da periferia da Europa, que agora acaba por ajudar. Estamos numa fase em que, a seguir ao Brexit, seria fatal um resultado eleitoral que alimentasse a ideia de mais um país a abandonar a Zona Euro ou a UE. De certa forma, regressou alguma confiança ao mercado de dívida portuguesa, que face à falta de alternativas de rendimento, consegue atrair interessados.”

Profissionais
Empresas

Notícias relacionadas

O Mais Lido