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Taxas descem em emissão de BT e especialistas veem o mercado a continuar suportado pelos bancos centrais


Portugal recorreu aos mercados esta quarta-feira  para a emissão de títulos de curto-prazo no montante total de  1.250 milhões de euros. Destes, 250 milhões de euros foram emitidos em bilhetes do tesouro a três meses e 1.000 milhões de euros a 11 meses.

Face ao último leilão comparável ocorrido em abril, as taxas voltaram a descer, cifrando-se nos -0.488% a três meses (-0.009 no leilão anterior), enquanto que nos 11 meses desceu dos 0,038% para os -0,461%. A procura foi significativamente mais elevada no prazo mais curto, atingindo as 6.27 vezes a oferta. A 11 meses foi de 1.92 vezes. 

"A descida dos prémios de risco dos países, está diretamente ligada às medidas extremas que os Bancos Centrais têm vindo a adotar, para tentarem minimizar os efeitos recessivos que o COVID-19 tem tido na economia real. Um subida das taxas de juro, para já é não é uma realidade. Os vários programas de compras de ativos são o que suporta os níveis atuais de prémios de risco", comenta Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa

O especialista aponta também que um dos efeitos recentes observados a par da descida das yields da dívida pública nacional passou pela compressão do spread face à Alemanha, do pico do ano em março nos 171,36 pontos base, para os 90,78. "Esta descida nas taxas, acaba por ser muito importante, não só para Portugal continuar a descer o seu custo médio de serviço da dívida, como para fazer face às necessidades de financiamento que os vários setores da economia vão demonstrando e que sem ajuda poderão acabar por colapsar”, acrescenta Filipe Silva. 

Sobre o atual contexto de mercado e esta "envolvente de grande incerteza", Ricardo Duarte Silva, da CA Gest, comentava recentemente que "os estímulos fiscais e monetários avançados nas principais economias são significativos e deverão contribuir para alguma “tração”, mas o resultado em termos de crescimento económico ficará sempre marcado pelo sucesso no regresso à “normalidade”. Será igualmente importante monitorar eventuais alterações comportamentais (taxa de poupança, menor procura por determinados serviços no curto/médio prazo)". Neste sentido, o profissional acredita que "as obrigações deverão permanecer suportadas pela promessa de novos estímulos e de juros baixos por parte dos principais bancos centrais".

Bernardo Godinho, head of Capital Markets no Atlântico Europa, mostra-se a acordo e considera que "para o próximo semestre (curto prazo), eu diria que as obrigações poderão ser a classe mais interessante apesar de as taxas de juro estarem em níveis historicamente baixos. Com os estímulos monetários e fiscais em níveis muito elevados e a levarem a um enorme aumento da dívida soberana, é expectável que as taxas de juros possam vir a baixar ainda mais".

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