Taxas baixas versus eleições americanas: o que interessa mais para o fixed income?


(TRIBUNA de Jim Cielinski, Global Head of Fixed Income da Janus Henderson Investors. Comentário patrocinado pela Janus Henderson Investors.)

Acredito que a política do banco central provavelmente vai ser a influência dominante nos mercados de rendimento fixo, independentemente de quem ganhar as eleições nos EUA.

Pontos-chave:

  • O presidente Donald Trump e o candidato democrata Joe Biden têm políticas económicas divergentes. Mas o impacto específico destas políticas - o que realmente é implementado - não será conhecido até muito depois da noite das eleições. Isto faz com que não se deva fazer mudanças imediatas numa carteira de rendimento fixo.
  • Os mercados esperam que a volatilidade seja elevada em torno da eleição, mas moderada na maioria dos outros períodos como resultado do compromisso da Reserva Federal dos EUA com taxas de juro baixas. Assim, após a eleição, esperamos que a procura por yield continue nos mercados de obrigações.
  • Neste contexto, hipotecas, títulos garantidos por ativos, obrigações de empréstimos garantidos e crédito corporativo poderão permanecer atrativos, quase independentemente do resultado da eleição.

Penso que quando temos um grande evento como as eleições no horizonte, muitos investidores preocupam-se com o que isso vai significar para o portefólio. Quais são os cenários que podem surgir? Como vão reagir as yields das obrigações? Como se vão portar as ações? É importante perceber que não só temos de prever o resultado das eleições, como também temos de prever o que isso significa para os mercados. E é realmente esta segunda parte que atrapalha os investidores com bastante frequência; a reação automática que costumam ter é a errada. É preciso olhar para o que será implementado e o que é proposto. É preciso olhar também para as oportunidades de implementação. 

Quando temos de avaliar como investir sob os diferentes cenários, penso que com Trump, é mais previsível. Vai ser mais do mesmo, espera-se mais desregulação, mais dinheiro fácil e grandes défices. Mas, uma vez mais, conhecemos o resultado. Penso que o partido democrata que vai tentar desfazer muito do que fez Trump ao impor aumentos de impostos no setor empresarial e ao tentar mudar setorialmente através dos gastos: foco nas infraestruturas, foco nas energias limpas e salários mínimos mais altos. O que devemos ver é que o PIB (produto interno bruto) não vai mudar muito, mas a forma como é distribuído de empresas para indivíduos, penso que vai mudar.

Se tivermos uma mudança na administração, devemos olhar para as políticas económicas. Deverá haver menos tensões comerciais e isso será bom, por exemplo, para exportadores, mas também vai ser bom para os mercados emergentes. Devemos olhar para quais são as principais iniciativas do partido. Talvez aqueles, por exemplo os bancos, que beneficiaram da desregulamentação, não se vão sair tão bem. Mais uma vez, vai haver muita dispersão que será descontada no mercado, e essa dispersão vai acontecer por algum tempo após as eleições.

Quando enfrentamos incerteza, penso que é sempre importante perguntar quais as áreas do mercado de fixed income que podem ter bons resultados nos diferentes cenários. É esperada elevada volatilidade perto das eleições, mas os mercados estão a prever uma baixa volatilidade nos restantes períodos.

Assim que passarmos a eleição, esperamos que as taxas próximas de zero aliadas à baixa volatilidade continuem a gerar essa procura por income. Descendo um pouco no espectro de liquidez para hipotecas e ativos garantidos (securitizações) e CLOs (obrigações de empréstimos garantidos), por exemplo, acho interessante. Penso que nos mercados mais convencionais, o crédito deve realmente ter um bom desempenho. E isto verifica-se mesmo num ambiente de crescimento lento e baixa inflação ou num ambiente de crescimento mais rápido que seria causado por gastos mais elevados.

Penso que há uma fixação na eleição porque é interessante e está tão perto. Mas há tantas coisas a acontecer no mundo atualmente. O debate sobre a inflação ou o que a política comercial faz? O que acontece se recebermos uma vacina? Todas estas perguntas são realmente significativas para os mercados e, portanto, não acho que nos devemos fixar apenas na eleição, porque muitas coisas estão a impulsionar os mercados hoje e é realmente a interação delas que determinará como devemos investir.

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Aqui pode ver o vídeo de Jim Cielinski.

Notas:

Obrigações de empréstimos garantidos: Este é um produto de financiamento estruturado no qual os empréstimos de diferentes negócios são agrupados e vendidos a diferentes classes de investidores em várias tranches. As diferentes tranches geram rendimentos diferentes, com os investidores a receber rendimentos mais elevados em troca de antecipar a absorção de quaisquer perdas caso os negócios subjacentes aos empréstimos não consigam cumprir os seus reembolsos.

Energia verde ou limpa: Produção ou consumo de energia que se foca na sustentabilidade, por exemplo, energias não-fósseis e de fontes renováveis.

Inflação: A taxa na qual os preços de bens e serviços estão a aumentar numa economia. O oposto de deflação.

Volatilidade: A taxa e extensão na qual o preço de uma carteira, título ou índice sobe e desce. Se o preço oscila para cima e para baixo com grandes movimentos, apresenta alta volatilidade. Se o preço se move mais lentamente e em menor grau, tem menor volatilidade. É usado como uma medida do risco de um investimento.

Yield: O nível de rendimento de um título, normalmente expresso em percentagem. Para uma obrigação, na sua forma mais simples, é calculada de acordo com o pagamento do cupão dividido pelo preço atual da obrigação.

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