Sustentabilidade da Segurança Social, incentivos à poupança e desafios na reforma


“Longevidade e os Desafios da Poupança Após a Reforma” foi a ideia que deu o mote à mais recente conferência levada a cabo pelo Instituto BBVA de Pensões, onde foi apresentada a VI Sondagem Instituto BBVA de Pensões.

Depois de conhecidas algumas conclusões sobre os hábitos de poupança dos portugueses com mais de 60 anos, houve tempo também para um debate sobre o impacto nos hábitos sociais e na organização do trabalho e do lazer, que todos os desafios inerentes à poupança apresentam.

Com moderação de João Silvestre, editor de Economia do Expresso,  foi dado o palco a Teodora Cardoso, economista e ex-Presidente do Conselho de Finanças Públicas, Elsa Logarinho, Investigadora Principal do Grupo Aging and Aneuploidy do Instituto de Biologia Molecular e Celular e do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, e ainda a Jorge Bravo, Economista, e professor da NOVA IMS e Membro do Fórum de Especialistas do Instituto BBVA de Pensões.

Como compatibilizar a necessidade de acautelar as novas gerações com o facto da população estar a envelhecer? É talvez uma das perguntas para um milhão de euros. Teodora Cardoso lembrou que atualmente se vive num regime de taxas de juro zero, que conseguiu fazer com que “a recuperação da crise acontecesse”, mas que causou alguns entraves noutros pontos. Este regime, para a economista, não permitiu um incentivo nem à poupança nem ao investimento. “O facto do financiamento do investimento ser barato não chega para que se invista. É preciso perceber se esse investimento vai ser rentável e a que prazo. O contexto em que vivemos é de muita incerteza em relação à economia mundial, e tudo isso faz com que o investimento em geral tenha evoluído pouco”, assinalou.

A sondagem divulgada pelo BBVA mostra, entre outros factos, que os inquiridos têm em mente os 72 anos como a idade de entrada na terceira idade. Apontando que Portugal é o quinto país mais envelhecido do mundo, Elsa Logarinho declarou que “embora ainda haja muito por fazer na área da geriatria em Portugal”, o futuro reserva “uma grande evolução na modelação da longevidade”, a um ritmo muito acelerado, “porque há muita tecnologia na área do envelhecimento que está a surgir”.

Relação com a propriedade de habitação

Apesar de ser ponto assente que a poupança é historicamente baixa em Portugal, Jorge Bravo quis colocar em cima da mesa a relação que os portugueses têm com aquele que é um elemento de poupança: a propriedade. “A poupança financeira é muito baixa em Portugal, mas a poupança global talvez não seja assim tanto. Talvez fosse interessante perceber qual seria a taxa de poupança se nós tivéssemos a mesma relação com a propriedade de habitação própria que têm por exemplo os alemães ou os nórdicos. Talvez não seria tão baixa”, constatou. No entanto, para o economista uma coisa é certa: “o discurso público relativamente à matéria da poupança continua a ser contraditório e de ‘está tudo bem!’”. Nesta legislatura, por exemplo, “o incentivo à poupança não existiu, antes pelo contrário”.

Perceber o regime contributivo da segurança social

Porque visível no estudo fica também que apesar de uma percentagem dos inquiridos se arrepende de não ter começado a poupar mais cedo para a reforma, ainda existe uma percepção de que o estado garantirá o valor de reforma no futuro, Teodora Cardoso quis realçar a falsa ideia que existe do funcionamento das pensões pagas pela Segurança Social. “A sondagem mostra que as pessoas ainda pensam que aquilo que vão receber na reforma tem a ver com aquilo que descontaram. O sistema que temos é de repartição, o que significa que as pensões que recebemos vêm das contribuições feitas atualmente pelos cidadãos ativos”, referiu. A sustentabilidade da segurança social, acrescentou, apresenta-se comprometida, já que “o número de pensionistas sobe e o número de cidadãos ativos não”. O equilíbrio para esta situação passa, na opinião da especialista, pelo maior entendimento das pessoas: “se as pessoas percebessem o sistema de funcionamento da segurança social teriam um maior incentivo à poupança”.

Defensora de um sistema misto para a segurança social, Teodora Cardoso falou ainda da debilidade dos incentivos existentes para a poupança. “No caso dos PPR,  que de acordo com a sondagem ainda são a segunda forma de aplicação de poupanças, tudo tem sido feito para destruir o produto em termos de benefícios fiscais”, atestou.

Notícias relacionadas

O Mais Lido