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Stelvio da Estrela!


Este SUV levava-me ao altar!

Tal como outros modelos da marca que pude conduzir num passado recente, o Stelvio junta-se a um lote exclusivo de carros que se podem apelidar de verdadeiramente emocionais! Dono de uma imagem exterior ao melhor estilo italiano e com um interior bem construído e muito espaçoso, apresenta ainda uma bagageira generosa e versátil, com 525 litros de capacidade. No entanto, a cereja em cima do bolo apresenta-se-nos sob a forma de uma conjugação direcção/chassis/motorização que lhe confere um dinamismo ímpar no seu segmento!

Posto isto, subscrevo e mantenho todas as virtudes e defeitos que elenquei aquando do meu primeiro ensaio à versão 2.0T com 280cv.

A versão objecto deste ensaio é a 'Super', que equipa com um motor 2.2D com 210cv às 3.750rpms e que, contrariamente à experiência que senti no modelo Giulia equipado com o mesmo bloco em versão de 180cv, me pareceu melhor insonorizado e com um cuidado extra no que concerne à isenção de vibrações. Todavia, quer num campo, quer noutro, a concorrência ainda faz ligeiramente melhor.

Às 1.750rpms, este motor disponibiliza 470Nm de binário, o que muito contribui para emagrecer os - já de si melhores do que a concorrência - 1.750kg de peso, permitindo-lhe aflorar os 215km/h e esmagar os primeiros 100km/h em apenas 6,6s!

Ainda assim, é com enorme à vontade que se circula a baixas velocidades com menos de 1.500rpms, denotando muita disponibilidade para progredir mesmo sem o recurso ao 'kickdown'.

O motor é realmente voluntarioso, subindo com enorme alegria e sem quebras até às 4.000rpms, rotação perto da qual a eficiente caixa ZF de 8 velocidades se encarrega de passar para a relação seguinte, de forma rápida e suave.

Mas é com a caixa em modo manual que podemos e devemos dar uso às enormes patilhas agarradas à coluna de direcção, incitando-nos a rodar o comando DNA para 'dynamic' e desfrutar em pleno de uma afinação de chassis que fará corar de vergonha alguns desportivos da actualidade, incrédulos perante as velocidades de passagem em curva que este Stelvio entrega.

É neste tipo de andamentos, incompatíveis com a filosofia subjacente ao comum dos SUV, que a direcção hiper-directa (2,1 voltas de topo a topo) desempenha um papel preponderante. A sua rapidez e precisão de acção, brindam-nos com uma capacidade inaudita de atacar traçados sinuosos, com um grau de satisfação tal que permitem demarcar este Alfa Romeo dos seus principais concorrentes, como um verdadeiro 'alien'!

Imprimir andamentos velozes num SUV tem, por norma, algumas consequências imediatas; um generoso adornar de carroçaria, queixume dos pneumáticos e um afundar significativo da frente em travagens mais fortes.

Permitam-me que vos diga que este Stelvio curva com adornar mínimo e se queixumes de borracha há a verificar, são essencialmente provenientes do eixo traseiro, quando em ganchos mais apertados, os 235/55 em jantes de 19 polegadas se deixam vencer pelos 470Nm de binário!

Em travagens fortes, também não é a frente a apresentar um comportamento nefasto, pois mantém-se estável e firme, graças a uma afinação de suspensão que consegue conciliar de forma exemplar um bom nível de conforto com a dose certa de desportividade.

No campo da travagem, e apesar de contar com maxilas Brembo de 4 êmbolos na dianteira, encontrei um pedal de travão de tacto esponjoso e um pouco difícil de modular. Não que pecasse por falta de poder de travagem, mas pelo facto de possuir um curso de pedal mais longo do que gostaria, revelando-se menos mordaz do que alguns dos seus concorrentes.

Todo este dinamismo implica que, com alguma frequência, adoptamos andamentos bastantes vivos... E neste momento esperariam que eu referisse 'ah e tal os consumos disparam', mas nada disso!

Percorri mais de 800kms com este Stelvio Super 2.2D e, num misto entre condução rápida em autoestrada, duas subidas à torre da Serra da Estrela e condução em estradas nacionais, o consumo médio registado foi 8,4l/100. Ainda longe dos 5,2l/100 anunciados pela marca e dos 15,0l/100 que facilmente se rubricam com o seu irmão a gasolina, para um nível de performance marginalmente superior.

Por 57.300€, este SUV italiano é uma proposta muito tentadora dentro do seu segmento. E mesmo em configuração de tracção integral Q4, este Stelvio é sempre taxado como classe 1 nas nossas portagens.

De um ponto de vista emocional, e uma vez ultrapassadas certas 'barreiras' sociais que nos levam quase sempre numa mesma orientação racional, vos garanto que desfrutarão de um sorriso estampado no rosto sempre que tiverem hipótese de o conduzir.

Profissionais

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