Sinais para otimismo? O que nos mostram os dados do PMI?


Os últimos dados do PMI (Purchasing Manager Indez) do mês de junho registaram uma melhoria notória, registando o seu máximo em quatro meses. Segundo os dados partilhados pela consultora IHS Market, o índice final composto de atividade da zona euro aumentou até ao nível 48,5 o que representa uma subida de quase 17 pontos face ao registado em maio (de 31,9) e também se situou acima da sua leitura flash (47,5) que se deu a conhecer no fim do mês de junho.

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Que conclusões oferecem estes dados? Nas palavras de Chris Williamson, chief business economist da HIS Markit, “o aumento mostra uma mudança notoriamente rápida na difícil situação da economia da zona euro devido à pandemia pela COVID-19. Após ter caído para um mínimo sem precedentes em abril devido ao fecho generalizado de negócios para combater o vírus, o índice PMI aumentou para um nível indicativo de uma contração do PIB a uma taxa trimestral de apenas 0,2%, o que sugere fortes aumentos mensais do PIB tanto em maio como em junho”. Williamson mostra-se confiante e refere que “uma melhoria do sentimento empresarial aumenta as esperanças de que o crescimento do PIB seja retomado no terceiro trimestre”.

No entanto, o otimismo diminui se olharmos longo prazo para os dados que se vão conhecendo. Bruno Cavalier, economista-chefe da ODDO BHF, explica que "uma recuperação rápida não é garantia de uma recuperação duradoura". Não obstante, destaca que "os dados macroeconómicos de curto prazo podem superar os recordes anteriores no lado positivo, depois os terem superado no lado negativo". Contudo, segundo Cavalier "o sistema económico não retornará à sua posição inicial (efeito da histerese), já que o choque tem efeitos tardios e persistentes”.

Já temos explicado em ocasiões anteriores que o PMI é um indicador que nos ajuda a testar a saúde da economia, mas agora detemo-nos em tudo o que acarreta a elaboração do índice, e as razões pelas quais tem atualmente uma maior importância.

O PMI (Purchasing Managers’ Index) baseia-se nos inquéritos mensais realizados a um leque de empresas do setor industrial e dos serviços das principais economias do mundo e também de economias em desenvolvimento. Estes dados podem ser oferecidos de forma individualizada ou incluindo ambos os setores (PMI Composite). Para a elaboração deste índice têm-se em conta mais de 40 países que representam 86% do PIB mundial. 

O índice PMI oferece uma visão geral do que realmente está a acontecer na economia do setor privado, monitorizando a evolução de diferentes variáveis, como: novos pedidos (30%), produção (25%), emprego (20%), prazos de entrega dos provedores (15%, índice invertido) e compras (10%).

O que vemos com este índice?

O PMI ajuda a entender melhor as condições económicas subjacentes atuais e a identificar os pontos de inflexão no ciclo económico, permitindo melhorar a planificação empresarial e a estratégia de compras. Além disso, permite realizar comparações detalhadas entre diferentes economias. Este indicador, ao contrário do PIB, chega a tempo de reverter certas tendências e/ou padrões que se observam na economia em tempo real, sem ter de esperar por dados que mostram a fotografia no passado.

A sua leitura é fácil já que acima do nível 50 indica uma melhoria do aumento face ao mês anterior; falamos neste caso de uma economia em fase expansiva. Uma leitura abaixo do nível 50 indica uma deterioração ou diminuição face ao mês anterior. Neste caso, para calibrar o quão danificada pode estar a economia é preciso ter em conta que se o dado do PMI está entre 42 e 50 interpreta-se que a economia está em contração e se é inferior a 42, em sério retrocesso.

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