Sete meses após o rebentar da COVID-19: comparação com as quedas da Lehman e o 11 de setembro


Voltou. Ou melhor, nunca se foi, ainda que nos tivéssemos deixado iludir com a nova normalidade. Sete meses depois do início do impacto da pandemia nos mercados na Europa, é um bom momento para rever o que se passou e também para comparar a situações com o que se passou após a Lehman e os atentados do 11 de setembro.

Dividimos a análise entre o total destes sete meses, o mês posterior ao 23 de fevereiro de 2020 (fecho de Lombardia) e o que aconteceu no período entre 23 de março e 23 de setembro. Queremos saber o que resta da abrupta queda do primeiro mês.

Nas obrigações, as obrigações high yield tanto europeias como americanas e o índice de obrigações corporativas europeias continuam a vermelho após sete meses, ainda que tenham tido uma recuperação quase total, menos no caso do high yield europeu. As obrigações do Tesouro americano funcionaram como refúgio durante todo o período.

Nas ações, sete meses depois, continua a primar o vermelho com uma exceção: o índice de ações chinesas, que subiu 10,5% no período e 10,8% este ano. Entre as quedas há bastante dispersão. A melhor gestão da crise na região asiática também se reflete no Nikkei 225, que recuperou quase tudo e só regista uma descida 0,17%.

Quanto ao ouro e ao crude, o metal precioso regista uma subida de 14% nestes sete meses e o crude diminuiu para da sua forte queda (recorde-se da crise da entrega física do WTI e que em Cushing já não cabia nem mais um barril). O ouro é o melhor atrativo do conjunto total dos analisados este ano com um retorno de 23,7%.

Por sua vez, o dólar, face a um conjunto de divisas, subiu 3,25% no primeiro mês para depois cair pouco mais do que 8% entre finais de março e finais de setembro, ainda que tenha recuperado ligeiramente este mês.

Há algo que chama à atenção na tabela: o vermelho generalizado no acumulado dos 23 dias de setembro.  Só o dólar e as obrigações menos arriscadas se salvam desta correção. Pode ser uma pausa dos mercados, mais avultada em alguns casos como no do S&P 500 após a sua forte recuperação e as dúvidas sobre a trajetória que podem tomar as grandes empresas tecnológicas, mas também um aviso de que a segunda onda já está aqui. E se está aqui, o medo do seu impacto económico está a ter um reflexo nos preços.

Em episódios anteriores

Enquanto aplanamos a curva de novo (uns mais do que outros), a comparação com o sucedido nos mercados sete meses depois da queda da Lehman é bastante favorável. No fim de abril de 2009, as obrigações high yield e a maioria dos índices de ações ainda acumulavam perdas superiores a 20% em média, apesar de o pior ter passado. De novo, há uma exceção, e repete-se: trata-se do índice de ações chinês.

Quanto ao pós 11 de setembro, a sete meses, o tom era de recuperação mais ou menos generalizada.

As três crises coincidem no facto de sete meses depois, tanto o ouro como as obrigações do Tesouro americano subiram e o petróleo caiu. Se sabe de alguma crise que esteja para vir, aqui tem um bom long-short. Atualmente, temos o suficiente com esta.

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tabelacovid

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