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Sete gráficos do mercado de obrigações que realmente dão medo


Aproxima-se o Dia das Bruxas, mas não temos de esperar para encontrar nos mercados sinais que fazem gelar o sangue a qualquer investidor. Na M&G Investments oferecem-nos a habitual compilação de sete gráficos que “dão medo”. Desde o novo aumento do desemprego à bomba relógio que é o aforro das famílias ou a solvência da dívida.

1. A taxa de desemprego geral reflete o verdadeiro alcance da crise?

Felizmente, as ajudas do governo ofereceram apoio necessário a muitos trabalhadores dos mercados desenvolvidos, o que manteve a flutuar tanto as famílias como as economias. Mas isto oferece uma conclusão temível que nos recorda a gestora: quantos trabalhadores estão em situação de desemprego e ainda não o sabem? Dito de outro modo, o que acontecerá quando estes e outros planos de ajuda terminarem?

“Acreditamos que este gráfico poderá dar ainda mais medo do que o número geral de solicitações de subsídio de desemprego dos EUA”, afirma a equipa de Obrigações da M&G. Mostra os dados de desemprego atuais, mas acrescentando aqueles que se definem a si mesmos como temporariamente desempregados. Se forem incluídos os temporariamente desempregados ausentes desde há pelo menos 15 semanas, o número de trabalhadores desempregados é aproximadamente o dobro do dado comunicado.

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2. As famílias parecem estar numa situação melhor… por agora

“Vimos realmente o pleno impacto da crise?”, perguntam-se. Esta recessão é estranha por muitas razões, mas uma das suas características mais anormais é que, em muitos países, os rendimentos das famílias aumentaram, tal como aconteceu com as taxas de aforro durante os confinamentos. “Mas agora que as economias reabrem, o gasto no consumo voltou a aumentar, graças em parte as esses aforros”, recorda a equipa. “Atenção ao próximo taper tantrum se retirarmos este apoio às famílias e estas começarem a ficar sem poupanças; isso poderá ter consequências a muito mais longo prazo para a economia americana do que vimos este ano”.

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3.  A insolvência europeia dá medo

As famílias e o desemprego parecem contidos, mas o suspeito do costume continua a dar sinais de preocupação: o high yield. Ainda que muitas empresas high yield tenham conseguido manter o nível de liquidez durante este ano, os balanços parecem bastante débeis, detetam na M&G. “Agora que as medidas de confinamento começam a voltar a endurecer em toda a Europa, a escassez de rendimentos e a elevada alavancagem de muitas empresas implicam que ainda nos falta ver debilidade no high yield europeu”, vaticinam.

Assusta também pensar onde estaríamos sem o Banco Central Europeu. Após passar do mínimo de 300 pontos base em janeiro para máximos de 850 pontos base, o índice de high yield europeu apresenta agora um spread de crédito de 400. “Dado o instável panorama dos fundamentais que podemos ver no gráfico, isto representa um indício terrível de até que ponto o apoio dos bancos centrais impulsionou os preços dos ativos sem que a qualidade dos lucros o sustente”, sublinham.

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4. As classificações de crédito já não parecem importar… Para os que estão no governo

Outra imagem terrível é se tivermos em conta as diferentes classificações de crédito e a comparação entre as yields que oferecem a dívida italiana (classificação BBB-), a dívida espanhola (BBB+) e os Gilts britânicos (com uma classificação AA-, após a sua recente revisão em baixa), por exemplo. “A história diz-nos que a dívida periférica europeia é um investimento de maior risco do que a dívida core europeia e, portanto, gerou rentabilidades mais altas em conjunto com as sólidas mais-valias para os investidores ao reduzir os spreads”, recordam. Agora vemos como as obrigações espanholas estão aos mesmos níveis que os Gilts britânicos, a dívida italiana converge com a espanhola e, no geral, o risco da Europa periférica reduz-se. Continuam a importar as classificações de crédito ou o mercado está agora mais centrado no vírus e a sua propagação?

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5. A duração foi um ponto-chave recentemente para quem investe no Tesouro americano ou Gilts britânicos

A almofada que ofereceu a descida das taxas de juro este ano representa que a duração de uma carteira de obrigações foi um ponto-chave para proteger o capital dos investidores, mas só nos EUA ou no Reino Unido. Pelo contrário, a duração japonesa ou europeia gerou rentabilidades negativas para os investidores. A que se deve a diferença? “A resposta é que a Fed e o Banco de Inglaterra tinham margem para baixar as taxas de juro, enquanto a Europa e o Japão não”, explicam. Agora que as taxas são praticamente zero nos EUA e no Reino Unido, cabe perguntar onde podem ir agora os investidores para conseguir essa proteção de aversão ao risco.

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6. As rentabilidades all-in da dívida corporativa voltaram aos níveis anteriores à COVID-19

Os spreads de crédito e as rentabilidades de dívida corporativa subiram fortemente no início deste ano, já que custou ao mercado prever o efeito dos confinamentos globais na insolvência dos emissores e os investidores precipitaram-se em comprar ativos refúgio seguros. “Era de esperar que os níveis tivessem descido desde o pior momento da restrição de liquidez, mas o nível a que se reduziram é realmente extraordinário e dá bastante medo”, defendem.

Os spreds de crédito continuam altos comparados com os seus níveis anteriores à COVID-19, mas olhemos para a rentabilidade all-in que se oferece aos investidores que atualmente emprestam o seu dinheiro às empresas: nos EUA e no Reino Unido, por incrível que pareça essas rentabilidades estão agora muito abaixo de antes do início da restrição provocada pela COVID-19, apesar dos riscos evidentes e a incerteza que continuam presentes na economia.

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7. A libra esterlina não atuou como divisa de reserva

O fantasma que nunca mais se vai embora é o Brexit. Se há algo em que os investidores podem confiar quando surge medo são as divisas de reserva, certo? “O dólar, o euro e alibra esterlina oferecem geralmente um refúgio seguro para os investidores quando os mercados caem. Mas, este ano, uma dessas moedas não se comportou como seria de esperar. Referimo-nos, claro, à libra esterlina”, comentam.

Se nos fixarmos neste gráfico, o perfil de risco e rentabilidade da libra assemelha-se mais ao de várias moedas dos mercados emergentes do que dos desenvolvidos. Isto mostra-nos claramente até que ponto a libra esterlina está a negociar conforme a confiança do momento. “O que implica isto? A recente descida de classificação creditícia do Reino Unido pela Moody’s ou a proximidade do Brexit, para o seu posto tradicional como uma das grandes divisas de reserva?”, questionam.

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