Será possível uma taxa de juro de referência de -5%?


A Legg Mason AM trouxe recentemente a Lisboa a sua chefe de Fixed Income, Amanda Stitt, que deu as suas opiniões acerca do caminho seguido pela  Reserva Federal e o comportamento da economia norte-americana. A especialista, começou por falar do ano passado e de como os primeiros três trimestres se revelaram difíceis. “Na nossa opinião, a Fed ia aumentar as taxas de juro quatro vezes em 2018. Mas não prevíamos nenhum aumento entre 2019 e 2020”. A profissional revela que foi uma posição difícil de assumir já que o mercado previa um grande crescimento nos EUA que na entidade viam como mais moderado.

Agora já com alguns dados mais em cima da mesa a profissional acredita que “que Jerome Powell cometeu erros” sobretudo na comunicação. Amanda Stitt lembra que o enquanto o Chairman da Fed, Jerome Powell, fazia declarações muito hawkish, os dados de inflação era consideravelmente baixos nos Estados Unidos.

As declarações de maio e junho por parte de Powell são um exemplo destas mensagens contraditórias por parte da Fed. Em maio, Powell declarou que o facto de haver uma inflação baixa se devia a um factor transitório e que o risco global se tinha moderado; enquanto em junho expressava a sua preocupação pela ausência de inflação e pelo aumento do risco global. Afirmava até que a Fed iria utilizar todas as suas ferramentas para se manter neste ciclo expansivo, uma mensagem claramente mais dovish.

Shadow short rates

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Recorrendo a um gráfico de um estudo executado por um banco central do outro lado do planeta, o Reserve Bank of New Zeeland, a profissional mostrou aquilo a que chamam “shadow short rates”. “Se olharmos historicamente para a política monetária nos EUA, considerando não só a política de taxas de juro mas também os efeitos das reduções ou aumentos de balanço, vemos que no auge do quantitative easing, e baixas taxas de juro, esta combinação seria  o equivalente a ter taxas de juro a -5%.”

No entanto, tudo mudou quando o quantitative tapering e depois o endurecimento da política monetária desempenharam os seus papéis e as taxas de juro subiram. “Passámos de -5% para o nível onde nos encontramos agora o que se traduz num grande endurecimento das condições financeiras”. A especialista demonstra estar surpreendida quanto a este facto já que os níveis de crescimento não estão muito elevados. “Esta é uma grande mudança e vai causar um forte impacto”, confessa.

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