"Será possível reduzir o risco vendendo obrigações soberanas e comprando acções?"


Por motivos de liquidez e gestão, os investidores institucionais fazem uma alocação elevada a obrigações soberanas emitidas por Estados do Ocidente e denominadas em dólares, euros, libras ou ienes. No entanto, dado o nível atingido tanto em maturidades curtas como longas, o retorno desta alocação é quase nulo ou em muitos casos negativo.

Portanto, não é surpreendente que se verifique um reajustamento das carteiras, fazendo a revisão da alocação de activos na qual a diversificação e a procura por 'yields' se transformam em objectivos importantes.

A questão da diversificação não se resume exclusivamente à necessidade de aumento das 'yields' actuais, há que ter em conta que se trata de uma estratégia sensível no que refere ao risco ajustado ao retorno aquando uma visão de adopção de longo prazo.

É expectável a subida gradual das 'yields' o que se traduzirá em retornos negativos nas obrigações soberanas. Neste cenário, um portefólio diversificado através de diferentes classes de activos incluindo obrigações hipotecárias, 'supranationals', corporativas, indexadas à inflação, divida de mercados emergentes tanto em moeda local como forte e acções é superior em termos de risco ajustado ao retorno e permite uma melhor protecção do capital em termos reais.

Historicamente, a divida de mercados emergentes e acções constituem grandes benefícios de diversificação e geram retornos mais altos com risco devidamente ajustado no longo prazo. No caso da divida de emergentes denominada em moeda local oferece, especialmente, exposição a mercados fiscalmente mais sólidos e economicamente mais dinâmicos.

 

Repensar a exposição a acções

O investimento em acções tem sido tradicionalmente visto como mais arriscado, não sendo utilizado na carteira como instrumento liquido nem utilizado para gestão do risco da carteira.

Tradicionalmente e no geral, os investidores institucionais não têm incluído acções nos segmentos de liquidez e gestão de risco das suas carteiras, considerando-os activos de risco e fontes de retorno. No entanto, actualmente esta situação parece alterar-se e cada vez mais se verifica que os investidores começam a incluir acções na gestão de risco da carteira.

Esta alteração está em linha com a gestão feita pelos bancos centrais. É de informação pública que, por exemplo, a o Banco Nacional Suíço, o Banco de Israel e Banco Central da Coreia investem uma parte (entre 5% e 12%) das suas carteiras em acções. Em comum com os investidores institucionais, os bancos centrais também necessitam de liquidez e de gestão de risco. As acções não só têm uma baixa correlação com as obrigações soberanas e outros instrumentos do mercado obrigacionista, como também algumas acções têm, recorrentemente, 'dividend yields' mais elevadas e frequentemente mais estáveis do que a maioria das obrigações soberanas, além de gerarem retornos adicionais. A exposição a mercados accionistas pode também levar a um melhor ajustamento do risco ao perfil de retorno para o total de uma carteira.

Por último, mas não menos importante, as acções estão historicamente a um preço justo e esta é, de facto, a principal diferença quando comparados com os preços da década passada. Olhando para o futuro, é de esperar que as acções tenham uma ‘performance’ muito melhor do que nos últimos dez anos não só devido à melhoria gradual das condições económicas mas também pelo nível de preços actual. Acreditamos que o retorno anual nas acções globais, em termos nominais, nos próximos sete anos, será de 7% com uma volatilidade de 14%.

Diversificar uma carteira predominantemente de obrigações soberanas através da introdução de uma alocação relativamente baixa, na ordem dos 8%, a acções globais, leva a um significativo aumento dos retornos reais com um relativo aumento da volatilidade, melhorando o ‘Sharpe ratios’.

A diversificação é um processo em curso nos últimos anos. Contudo, acreditamos que este processo tem sido demasiado lento reflectindo o elevado grau de aversão ao risco e a tendência que os investidores institucionais têm relativamente a obrigações soberanas que são percepcionadas como activos de baixo risco. No actual contexto, os temas da gestão de risco e a liquidez voltaram a estar sobre a mesa e, nesse sentido, questiona-se se serão as obrigações soberanas o dito ‘risk free’ comummente utilizado ou se as acções, numa lógica de diversificação da carteira, não poderão ser usadas como outra ferramenta na gestão do risco. Consideramos que o grau de diversificação deve ser proporcional às posições investidas em obrigações soberanas (de curto prazo) e acima do nível considerado adequado de liquidez e gestão do risco.

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