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“Sendo um fornecedor de soluções, existirá futuro enquanto se tiver um bom produto e se oferecer um apoio excecional”


Um relatório do Deutsche Bank publicado recentemente pela Funds People, no qual se analisava que tipo de gestoras estão melhor posicionadas no novo contexto regulatório, concluía que as grandes derrotadas seriam as gestoras pertencentes a bancos e seguradoras. Com uma exceção, aquelas que dispõem de uma oferta mais especializada, como a Nordea, que não oferece os seus serviços aos mercados locais, mas sim com um enfoque mais global, algo que constitui uma das poucas exceções no sector. Christophe Girondel é o responsável mundial da distribuição para clientes institucionais da Nordea, e tem algumas opiniões relativamente a este relatório.

Começa por clarificar que metade dos ativos geridos pela Nordea não dependem do grupo: “Para nós, o objetivo não é ser uma gestora nórdica, mas sim competir com outros players internacionais, incluindo os players independentes. Mas a chave está em ter um bom produto, ou não será possível ter-se êxito”, afirma categoricamente. “As pessoas tendem a esquecer-se que, nos últimos dez anos, só se teve a capacidade para distribuir e captar fluxos tendo um bom produto”, acrescenta.

O especialista acredita que o maior desafio que as gestoras de fundos vão enfrentar daqui para a frente está na conservação das margens de lucro: “Quer se seja dependente ou independente, todos estão sob a mesma pressão dos investidores institucionais relativamente às comissões”. Girondel indica como elemento de pressão adicional o facto de que muitos bancos e plataformas de distribuição terem decidido reduzir o número de fornecedores com que trabalham, devido ao aumento dos custos regulatórios.

No entanto, o especialista não vê razão para esperar uma deterioração dos lucros. Acredita que se pode compensar a perda das margens com um maior volume, por uma poderosa razão: “Vivemos num mundo em que as pessoas precisam de poupar. A poupança vai ser um grande problema da nossa sociedade e é necessário tomar decisões. Sendo um fornecedor de soluções, existirá futuro enquanto se tiver um bom produto e se oferecer um apoio excecional”, insiste o responsável. 

Esta observação relativamente ao volume leva a um terceiro ponto de vista: Girondel acredita que existe espaço na indústria tanto para as grandes gestoras com a capacidade para gerar economias de escala, como para as pequenas gestoras, desde que sejam bastante especializadas: “A nossa indústria fala bastante do volume, mas as receitas nem sempre estão relacionadas com o  volume. Isto é, pode-se ser pequeno mas ter produtos com uma margem muito alta e, portanto, ser-se bastante rentável. Por exemplo, um gestor que gira ativos ilíquidos ou um hedge fund não é tão grande como a BlackRock, mas a sua margem é muito diferente. Na gestão passiva, aí sim, é necessário ser-se um gigante, uma vez que não há muitos concorrentes. Mas sendo-se especializado, é uma história completamente diferente”, afirma.

A última consideração de Girondel relativamente a esta questão é uma crítica construtiva ao negócio de gestão de ativos: “Não somos uma indústria que esteja acostumada a defender as suas margens. É preciso sermos melhores, e acredito que isso vai ser fulcral se queremos continuar a desenvolvermo-nos no futuro”. Ainda que destaque em vários momentos da entrevista a necessidade de oferecer um produto de qualidade, o profissional não se refere exclusivamente aos fundos quando afirma que as gestoras de fundos precisam de ser melhores para sobreviver neste novo contexto da indústria: “Existe sempre um elemento de produto, mas também existe um elemento de serviço. Verificamos que com a entrada em vigor da MiFID II e outras regulações, o serviço é ainda mais importante do que aquilo que costumava ser, pelo que tentamos estar próximos dos nossos distribuidores enquanto parceiros de preferência”, indica.

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