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“Se se regular em excesso os monetários, poderemos ver mais investidores a sair da Europa”


O número de fundos de investimento à disposição dos investidores europeus registou no terceiro trimestre uma redução de 271 produtos, um  número que está ligeiramente abaixo dos 308 fundos que desapareceram no mesmo trimestre do ano passado. No total, entre julho e setembro foram criados 442 fundos, 458 foram liquidados e houve ainda 255 fusões, segundo o último relatório da Lipper Thomson Reuters.

Por classe de ativos, o terceiro trimestre teve mais 133 fundos de ações, 120 de obrigações, 155 mistos e 11 do mercado monetário. Já os fundos que encerraram, 148 era de ações, 58 de obrigações, 91 multiativos, 16 monetários e 145 que englobam outras categorias. Já nos fundos que se fundiram, 76 era de ações, 70 de obrigações, 59 mistos e 35 do mercado monetário.

As variações registadas no terceiro trimestre apenas fizeram variar a distribuição dos fundos registados na Europa. No final do trimestre, 37% dos produtos comercializados eram de ações, 26% mistos e 22% de obrigações. Já os produtos do mercado monetário representavam apenas 4% do total.  Para a Lipper Thomson Reuters, a regulação segue como tema chave para os gestores de ativos na Europa.

“Estamos agora no meio de um processo de transformação no que diz respeito à diretriz AIFMD, que deverá estar pronta antes de julho de 2014. Além disso, os UCITS V serão impulsionados e os UCITS VI já estão na agenda. Outras regulações como a EMIR e a DMIF II também terão impacto na indústria da gestão de ativos”. Nesse sentido a Lipper Thomson Reuters indica que um dos assuntos que mais incidirá nos UCITS VI será a revisão do regulamento para os fundos do mercado monetário, em relação às comissões de resgates, reservas de liquidez e ainda as condições de saída.

Não está claro como é que esses produtos serão regulados quando todo o processo estiver concluído, mas as mudanças podem ter um grande impacto sobre esta classe de ativos. Os fundos do mercado monetário na Europa possuem cerca de 22% da dívida de curto prazo que foi emitida por governos ou o sector empresarial e 38% da dívida de curto prazo emitida por instituições financeiras, de acordo com os dados da ALFI”. Os principais pontos de folga desses fundos são França e Luxemburgo. No caso do Luxemburgo, 10% dos ativos investidos em fundos são monetários. “Baixas taxas de juro vai levar a uma saída desta classe de ativos”, explica.

O diretor geral da ALFI, Camile Thommes, está muito preocupado com as discussões que estão a acontecer no âmbito da regulação em torno dos fundos monetário. “Temos um produto bem estabelecido e regulado: se se regula em excesso podemos ver muitos dos investidores a sair da Europa”. Neste sentido, Thommes afirma que a “velocidade da regulação aumentou significativamente desde da crise financeira, se bem que a industria precisa de tempo para a sua implementação e um dos desafios mais importantes é o de  não perder o investidor”, afirma Thommes.

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