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Se a curva de yields inverter… quanto tempo tenho para me preparar para uma recessão e um bear market?


No verão passado, a curva de yield nos Estados Unidos esteve quase a inverter-se. Foi um momento no qual todos os alarmes soaram. Historicamente, quando a parte mais curtas tinha uma yield mais elevada do que as frações longas, foi sinónimo de recessão e de bear market. Contudo, não é algo automático. Ou seja: uma curva inversa não significa que a recessão vá acontecer da noite para o dia, nem que as ações comecem a cair de forma iminente. Existe uma margem de tempo para que as coisas comecem a mudar. Se a curva de yield inverter… quanto tempo os investidores dispõem para se prepararem para uma recessão económica e um bear market?

Na J.P. Morgan Asset Management analisaram essa questão. A primeira conclusão a que chegaram é que, efetivamente, a forma da curva oferece informação relevante na altura de prever uma contração da economia e uma queda das bolsas. Essa perceção generalizada de que uma curva invertida é sinónimo de recessão e correções das ações é correta. A segunda reflexão a que chegaram é que os investidores dispõem de uma certa margem para se prepararem para este novo cenário macroeconómico e de mercados. Manuel Arroyo, diretor de Estratégia da J.P. Morgan AM para Portugal e Espanha, explica exatamente qual foi a metodologia implementada pela empresa americana na sua análise.

Na gestora recolheram o leque histórico dos últimos 40 anos para identificar os períodos nos quais a curva chegou a inverter e mediram o número de meses que ocorrem desde esse momento até que a bolsa toca níveis máximos. “A média é de 17 meses”, afirma. Ou seja: desde o momento no qual a curva de yield inverte nos Estados Unidos até que as bolsas alcancem o seu ponto mais alto passa, em média, um ano e meio. Nas duas últimas ocasiões na qual as frações curtas pagavam mais do que os longas – em maio de 1998 e dezembro de 2005 – a bolsa continuou a subir durante 22 meses, em ambos os casos.

No que diz respeito à entrada da economia em recessão, também não existe um efeito imediato entre o investimento da curva e um cenário de contração da atividade económica. Também passa algum tempo que, historicamente, foi em média de 22 meses. Da mesma forma, os máximos do mercado também não coincidem com o início da recessão. No caso do S&P 500, desde que o índice bolsista toca máximos, passam em média 5 meses até que a economia começa a contrair.

“Tudo isto leva-nos a concluir que uma curva de yield invertida pode ser uma forma de antecipar um bear market ou uma recessão económica embora, contrariamente ao que muitos investidores pensam, fá-lo com muito mais antecedência do que aquilo que se pensa. Durante o verão passado, quando a curva esteve quase a inverter, muitos participantes no mercado falavam de isso significar que se avizinhava uma recessão iminente. Nem todos. Historicamente, pode ter uma curva invertida e a recessão não chegar até praticamente dois anos depois”, assinala Arroyo.

Ao contrário do cenário que se viveu no verão, agora, a curva está um pouco mais longe de inverter porque as frações longas voltaram a subir, com as obrigações do Tesouro dos Estados Unidos em torno dos 3,2%. No entanto, no futuro esta situação na qual as frações curtas pagam mais do que as longas, irá voltar a repetir-se. Agora, quando isso ocorrer, os investidores já sabem quais são as margens de que dispõem para preparar as suas carteiras para enfrentar o novo contexto, tanto macroeconómico como de mercados.

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