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Saída de Victor Gaspar pode introduzir mais risco nos mercados


O comunicado chegou ontem já depois do fecho dos mercados e não constitui uma total surpresa para os profissionais do sector. Albino Oliveira, analista de mercados do Grupo Patris, comentou que “de um ponto de vista político, a saída era praticamente inevitável, tendo em conta, por um lado, o desgaste provocado pela implementação do programa de ajuste dada “a profundidade e persistência dos desequilíbrios, estruturais e institucionais” apresentados pelo país e, por outro, o crescente desconforto apresentado pelos dois partidos que suportam a coligação do governo”.

Luis Carvalho, director na CA Gest, diz que “Vitor Gaspar, como era sabido, estava empenhado em cumprir com os objectivos estabelecidos pelo acordo com a Troika, sendo frequentemente acusado de ir até mais além do que a Troika exigia. O seu pedido de demissão pode, obviamente, levantar questões quanto à intenção do Governo prosseguir com a execução do plano acordado e esse receio pode ser incorporado pelo mercado”.

“O governo perde, assim, um dos seus principais interlocutores com a Troika e com os seus parceiros Europeus, num momento em que várias decisões difíceis ainda poderão ter que ser tomadas. Como foi possível de ser observado pela leitura do mais recente relatório do FMI sobre Portugal, o país ainda enfrenta um difícil caminho para estabilizar a procura interna e consolidar os ganhos recentes em termos de competitividade externa”, comentou Albino Oliveira.

Esta demissão ocorre após a conclusão sétimo exame regular e embora ainda seja “prematuro tirar qualquer conclusão relativamente à continuidade de execução do programa, o facto de ser substituído por alguém da mesma equipa (Maria Luis Albuquerque, Secretária de Estado do Tesouro) poderá significar uma continuação das políticas adoptadas”, disse Luis Carvalho ontem à Funds People.

“Receamos que os mercados financeiros voltem a apreçar um maior risco nos activos Portugueses (acções e obrigações), o que apontaria novamente para a necessidade de o país beneficiar de algum tipo de suporte no final do actual programa em meados de 2014 (embora com outras características) para conseguir voltar de uma forma mais sustentada ao mercado de obrigações”, conclui Albino Oliveira.

Ainda ontem, em comunicado oficial, a Comissão Europeia deu a conhecer a sua opinião, tendo Olli Rehn, Comissário Europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, elogiado o desempenho de Vítor Gaspar e afirmado confiar que “Maria Luis Albuquerque irá mostrar compromisso e determinação semelhantes”, num momento em que “ainda subsistem desafios importantes”. 

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