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“Saga” Espírito Santo por cá, discussão da política monetária nos EUA


O que se passou no Grupo Espírito Santo continua a ser um assunto que o mercado nacional tem como “pedra no sapato”. Esta semana merece destaque a formalização de uma OPA por parte do grupo Mexicano Ángeles sobre a Espírito Santo oferecendo 9% acima do valor actual das acções e propondo 4.30 euros como valor para cada acção. A ES Saúde é detida em 51% pela Rioforte, holding do GES, que neste momento se encontra sob gestão controlada por tribunais Luxemburgueses. Terá pois que haver autorização judicial para que a venda se efectue, o que não é claro que aconteça.

Existe ainda outro entrave para a venda, com o Estado Português a deter um contrato de parceria público-privada com a ES Saúde para o Hospital de Loures, sendo necessário a autorização dos Ministérios da Saúde e das Finanças para uma alteração do titular das acções.

Hoje levantou-se ainda uma outra questão neste negócio, com suspeitas de utilização de informação privilegiada por parte do grupo Mexicano Angeles, que comprou ações até à véspera do anúncio da OPA. No último mês o grupo mexicano e os seus responsáveis conseguiram comprar 3.3% da ES Saúde, numa operação com contornos aparentes de utilização de informação privilegiada.

O mercado de dívida pública europeu vive dias dourados, com Portugal a tirar dividendos disso, emitindo a 3 e a 12 meses a mínimos históricos. A 3 meses, o Tesouro colocou 200 milhões a 0.097%, e a 12 meses colocou 800 milhões a 0.216%, taxas surpreendentes e que começam a levantar algumas questões sobre a relação que existe entre o preço da dívida e os riscos que apresenta.

A semana no mercado internacional fica marcada pela publicação das actas da última reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos, com a maioria dos membros do FOMC a afirmar que a economia Americana está a melhorar o suficiente para que se comece a estudar uma subida de taxas mais rápido que o inicialmente previsto. O debate sobre o timing de uma subida de taxas de juro tem-se intensificado nos últimos meses à medida que o Fed reduz o seu pacote de estímulos à economia e, parece claro, lendo as actas, que o FOMC aparenta estar focado no modo como vai reverter a sua política de expansão monetária, concentrando esforços em analisar a velocidade e os mecanismos a utilizar para sair da sua actual estratégia. Uma saída lenta e gradual parece a opção escolhida, e disso obteremos mais informações no decorrer do discurso de Janet Yellen na próxima sexta feira em Jackson Hole.

O intensificar da discussão sobre a mudança de política monetária e o seu timing levou o USD a atingir o ponto mais alto do ano face ao Euro (1.3242 ) mas o mercado deve aguardar com atenção as palavras de Yellen, dado que, se mantiver o seu tom cauteloso (tal como vem acontecendo desde o arranque de 2014) o cenário provocado pela alteração do discurso do Fed pode modificar-se de novo.

(Imagem de fabiogplegge, Flickr, Creative Commons)

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